segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Eu...



O tempo e o espaço colidiram e por alguma razão biológica, química e metafísica. Fui concebida e nasci. Um projeto do qual a natureza não se orgulha, pois alguma falha nos mecanismos cerebrais fez com que tal pessoa nascida e bem criada perdesse totalmente algumas características básicas necessárias ao convívio com seus semelhantes. Desprovida da ilusão, que é toda a mágica da existência, torno-me, assim, uma niilista não menos desgraçada que muitos dos grandes filósofos e poetas malditos que parecem compactuar os mesmos sentimentos de horror à vida, os que trago em minha "alma" desde que me conheço por gente.

Pergunto-me: por que uma águia velha abriria suas asas? Por que insistir em ser algo sabendo-se que nunca há de ser nada e nem de querer nada? Apenas arrastando a grande pedra, vai como um Sísifo pela vida.

E se um dia perguntarem-me qual foi meu maior talento, direi com todo o coração que foi não me fazer entender por criatura alguma que habita esse planeta. Se perguntarem qual foi minha maior paixão, direi que foi a de nunca ter me apaixonado. Se me perguntarem qual foi minha grande realização, direi que esta ainda está por vir, e será num dia qualquer, tudo se transformará em um grande e total nada.