sexta-feira, 23 de novembro de 2007

O que tenho experimentado ao longo dos últimos anos é o quão pouco se vale para o próximo. Engraçado pensar nas idéias e ideais cristãos de “amar o próximo como a ti mesmo”. O que tenho visto na verdade é que o grande ego de uns sempre acaba sufocando outros. Por causa do egoísmo, da inveja, da falsidade, do orgulho, do medo, da vaidade, as pessoas se afastam umas das outras e só as procuram quando existe uma força maior que as impulsiona, seja essa força o interesse monetário ou pessoal.O que tenho descoberto na natureza do ser humano é algo de atroz, de insensível, baixo e mesquinho, cruel e impiedoso. Cada dia penso mais estar frente a frente com uma legião de demônios cuja voracidade pela destruição é implacável. O ser humano é o predador do ser humano em todos os sentidos: A competição é uma forma alegórica de destruir o outro. A guerra e a injustiça são as formais literais. Se eu pudesse propor uma filosofia cujo único intuito fosse trazer a felicidade àqueles que a buscam incansavelmente, diria que ela se resume em serenidade, em paz de espírito. A agitação e a adrenalina dão-nos, muitas vezes, um certo sentimento de alegria. No entanto, assim que tudo se acalma, temos uma grande sensação de tédio. Logo, a felicidade não está nesses estados turbulentos. Diria que ela é algo constante e permanente, ago que se cultiva assim como uma planta. Ela não é encontrada simplesmente quando se troca de ambiente ou de amigos, quando se faz uma plástica no corpo ou quando se compra algo novo para a casa. Embora o ambiente tenha uma grande influência sobre os nossos estados emocionais: uma casa suja, mofada e escura nos traz depressão, tristeza, uma casa limpa, arejada, com plantas faz-nos sentir melhor. Ficar parado 2 horas no trânsito caótico da marginal Tietê é bem diferente de dirigir 2 horas em uma estradinha do interior cuja paisagem nos agrada os olhos. Em relação às companhias, diria que o menos é sempre mais; o melhor mesmo é estar ao lado de uma ou duas pessoas cuja interação seja fluida, cuja conversa seja agradável e cujas idéias sejam plausíveis, caso contrário, prefira a companhia de um livro. Em relação a auto estima, a seu próprio corpo, diria que uma cirurgia plástica não arrancaria nenhuma mágoa de seu interior e nem lhe acrescentaria afetos que lhe faltam. O ideal é manter-se saudável, cuidando bem de seu corpo através de exercícios e de uma boa alimentação. Isso são coisas tão obvias, não obstante ainda relutamos para aplicar essas dicas tão simples em nossas vidas. Pare se alcançar a auto suficiência, é necessário manter-se sadio, pois um enfermo sempre depende de alguém para auxiliá-lo.Mantendo, então, o corpo são, é preciso não se esquecer da mente sã. Curar os males da mente! Ah! Eis aí uma terrível e imensa batalha – a batalha de si contra si mesmo. É preciso enfrentar o neurótico que vive dentro de você: aquele que procura incansavelmente atingir algo impossível, aquele Sísifo que carrega a pedra morro acima e nunca consegue mantê-la no topo da montanha, devendo então descer e carregá-la novamente infinitas vezes. É preciso derrubar esse deus inexorável que tem dentro de si, esse deus que só castiga e castiga, que cobra sempre algo inatingível... É esse estado de neurose, seja ela qual for, que devemos alcançar dentro de nós mesmos e depois arrancá-la pela raiz.