domingo, 9 de dezembro de 2007

Desfolhada

O outono desfolhou as minhas árvores, uma a uma.
Não perguntou se devia, não quis saber se doía.
Desfolhou uma a uma Agora, minha paisagem é desértica e seca; triste e sem vida
O outono me trouxe desarmonia Trouxe desassossego
Trouxe um imenso desespero, terrível e sem fim.
Meus dias agora são toscos, a natureza, morta,
Os céus sem estrelas, o mar sem motim.
O outono levou embora toda a minha vida
Levou embora a esperança
Roubou de mim a alegria
Deixando apenas espaço para a desgraça
Ah, outono sem vida, ah vida sem graça!
Meus olhos, o brilho, perderam.
Meus pensamentos, o fio, distorceram.
Restando uma dúvida esparsa.
Folhas antes verdes, agora secas no chão, E o rosto enrugado a fitá-las
E o vento seco na pele seca na vida seca De um mundo árido num outono vão.