segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Parece que o destino quis juntar o escárnio ao desespero. (Schopenhauer)

Nossa vida é uma grande tragédia com pitadas de comédia: uma tragicomédia. Somos os atores e fazemos da vida o nosso palco, de nossos recursos instrumentos e de nossas formas de pensar, o roteiro. Aos olhos do espectador, somos sempre personagens cômicas e dignas de escárnio. Nunca realmente nos elevamos como as verdadeiras personagens da tragédia Sofocliana ou Euripideana, por mais trágica que seja a situação e por melhor que nos desvencilhamos da situação. Somos sempre digos de piedade ou de riso aos olhos alheios. Somente a própria tragédia é que tem valor. Vivemos em um grande circo, onde a alguns cabe o papel de mágicos, outros de equilibristas e outros de palhaços. Somos os homens ocos de Eliot. Vivendo por nada, vivendo por viver... vivendo e sofrendo a cada instante. Alguns humilhados e outros ofendidos; outros, no topo da cadeia, a chicotear, a escarrar e a gargalhar sem limites. Uma vida imunda, uma vida fedorenta, cheiro de pus e sangue velho - mil e uma noites de sodoma. Os homens inventam tantas coisas para desviar a nossa atenção da realidade... inventam a tv, inventam o computador, inventam que temos que trabalhar e trabalhar e trabalhar para consumir e consumir e consumir... máquinas digitais, celulares, mp3, carros, motos, tv plasma... o que tudo isso significa afinal? quem está lá em cima olhando tudo e desfrutando do trabalho alheio? quem sabe me explicar o motivo da dor e da miséria humana? Por que alguns realmente acreditam que esse sistema está correto, por que acham que trabalhar para alguém é algo digno? Por que ninguém questiona nada disso? É essa situação absurda que nos torna cômicos, que nos torna baixos. Uma verdadeira tragédia com generosas pitadas de comédia que nada significa.