sábado, 15 de dezembro de 2007

Pertencer ou não pertencer?

O ateísmo é um fardo muito pesado a ser carregado: ninguém escolhe ser ateu e pronto. Nasce-se ateu ou aprende durante a vida que as crenças existentes são quimeras. É extremamente difícil encarar o mudo e aceitar que não existe nenhum significado para além dele mesmo. É difícil contemplar a beleza da natureza e assumir que ela somente existe por um mero acaso. E o mais difícil de tudo é não ter a quem culpar pela lástima humana! É Difícil aceitar que morreremos e nada disso faz sentido algum. Que a alma acaba quando o corpo se esvai. Dizem alguns cientistas que a crença provém de uma química no cérebro - creio eu que isso pode até fazer certo sentido, no entanto, é preciso ser maduro o suficiente para negar todos os valores que nos são impostos pela sociedade desde que nascemos. Custa muito se desgarrar de todo esse fardo... E mais uma vez, a única explicação para tudo é o absurdo!!!!! Sem nos apegarmos a alguma coisa, para que viveríamos? Se deus não existe, então devemos inventar outra razão para continuar essa jornada enfadonha. Alguns ainda insistem na exisência de deus, embora esse não mais seja o motivo fundamental de suas existêcias. O que tenho observado nas pessoas do mundo contemporâneo é a vontade de ter e ter e ter cada vez mais coisas. Nossa sociedade trocou a ambição metafísica pelo anseio aflito de adquirir. Enfeitamos as nossas casas com louças italianas, cortinas indianas, tapetes persas... temos em nossas cozinhas refrigeradores de Inox, fogões de seis bocas atomáticos... em nossos banheiros temos toalhas suíças e mármore mediterrâneo... Compramos cremes de beleza com componentes naturais do mar morto ou argila do mar vermeho, compramos artesanatos de todas as partes do mundo que estejam na moda... temos disponíveis em nossas casas todos os tipos de parafernálias tecnológicas possíveis de se imaginar: TV plasma, home theater, aparelhos de som que nem sei mais o nome. Sim, e trabalhamos como condenados para ter e ter e ter mais e mais. E quando o sistema nos lança um outro produto que substitui os antigos, somos obrigados a nos desfazer deles para comprar os novos! Um sistema brilhante! consumo que gera mais consumo em cima de consumo! Eis a nossa nova crença! Crer ou não em deus não é mais algo tão importante. O nosso tempo está muito ocupado para pensarmos em eternidade. Pensamos no hoje e no agora, no prazer imediato. Pertenço ou não a esse sistema? claro que sim! Senão já teria me suicidado ou virado hermitão. No entanto, sou consciente de que nada disso pode preencher no fundo o grande vazio da existência, a grande inutilidade de todas essas coisas...