domingo, 9 de dezembro de 2007

Por que não conseguimos esquecer, por alguns instantes que sejam, os nossos problemas pessoais tão mesquinhos, os nossos egoísmos tão enfadonhos, as nossas neuroses tão desvairadas, e não prestamos atenção às coisas simples da vida. Não olhamos mais o céu estrelado e nem a lua cheia. Não olhamos mais as flores no campo, não nos alegramos em ver a alegria dos animais... A nossa sociedade também não nos deixa espaço para essas coisas, pois as lâmpadas dos postes das ruas ofuscam a verdadeira beleza da luz natural das estrelas; os arranha-céus escondem a grandeza da lua. Não temos mais campos, apenas asfalto quente e carros buzinando freneticamente. Os animais, cada dia que passa nos distanciamos mais e mais deles. Pensamos ser superiores a eles, no entanto não somos mais humanos; somos máquinas operando outras máquinas e criando novas máquinas num mundo maquinário sem sentido... O dinheiro é o grande Deus o qual todos reverenciam e busca incansavelmente. Somos os homens ocos, nossas cabeças são feitas de palha. Somos os espantalhos em um mundo infértil e sem pássaros. A palavra humanidade se torna hoje sinônimo de "androidade". Estamos nos tornando cada vez mais mecânicos, nossos sentimentos cada vez se turvam mais, até chegarmos a um ponto em que nada de humano, de vida, nos sobrará. Mas quem se importa? alguém se importa? Eu duvido muito que algo possa ser feito. estamos num mundo Becketiano em que não há mais saída. O único jeito é sentar-se em algum canto e esperar o Godot enquanto vemos Luckies e Pozzos fazendo suas trapalhadas.