sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Se é certo que um Deus fez este mundo, não queria eu ser esse Deus: as dores do mundo dilacerariam meu coração

A vontade de morrer não é simplesmente a aspiração por um mundo "melhor", um mundo "diferente". Essa pode ser uma das possibilidades daqueles que querem cessar suas vidas. Uma outra forma de encarar a morte é desejar o fim pleno das coisas, uma aspiração profunda ao nada absoluto! Pensar em morrer, em meu ponto de vista, é acabar com as dores que a vida nos concede e imergir a alma em um abismo sem fim. É apagar plenamente a consciência, não deixando sequer uma única molécula pensante. É o fim de tudo. Você morre, o seu sofrimento acaba, a sua alma esvaece. O mundo continuará, por certo, mas não mais o seu mundo de dores e angústias. Quando se tem uma alma sensível, as dores do mundo, e não apenas as dores subjetvas, dilaceram pouco a pouco o seu ânimo, assim uma pessoa se torna cada vez mais aflita, atormentada, cheia de psicoses, manias e paranóias. Uma pessoa assim, logo, aspira desaparecer eternamente, pois só de imaginar a possibilidade de restar qualquer sentimento mínimo que seja, já faz com que ela tenha arrepios de horror. Uma visão pessimista, talvez demasiadamente pessimista. Porém, o passar dos anos vai nos mostrando o quão inútil é a nossa existência no mundo, o quão pequenos e insignificantes somos o quão pouco, para não dizer nada, se pode fazer para mudar alguma coisa nesse mundo... Claro que é difícil engolir os sofrimentos do mundo a seco, por essa razão é que inventamos crenças, criamos deuses impotentes e rezamos para tentar amenizar o sofrimento. No entanto, uma consciência límpida e imune a todos esses tipos de crenças inventadas pelos homens inconformados pelas suas existências repugnantes não consegue aceitar qualquer tipo de explicação "transcendente" para a dor real que se sente. Qual a razão de tudo isso? Quando se chega nesse pensamento e não se consegue nenhuma resposta plausível para a questão, somos invadidos pelo pensamento do absurdo! O absurdo é a única explicação! Sim tudo não passa de um grande absurdo!