sábado, 1 de dezembro de 2007

Sobre o Rebelde Metafísico

A melhor forma para se resolver os seus problemas e os problemas do mundo é o suicídio. Pois não há como mudar certas coisas. É extremamente difícil mudar-se a si mesmo para poder se adaptar ao mundo e às pessoas. Logo, a forma mais simples é a acima proposta. Entretanto, mutas vezes nos falta ânimo para cometer tal ato. Pensamos naquelas pessoas que nos cercam e nos amam e não temos realmente a coragem necessária. Camus propõe a rebelião metafísica: o rebelde metafísico protesta contra a condição humana em geral. O Rebelde metafísico questiona Deus e sua criação. Ele não se conforma com as lástimas e as desgraças que os seres humanos praticam uns com os outros. Se Deus realmente existe, qual é a sua motivação para deixar que os homens façam o que fazem com a sua criação? Por que Deus não interfere em nada? Não há uma explicação palusível para essas questões. Não é possível engolir as respostas cristãs ou espíritas do "castigo divino" ou que temos um "carma". Essas respostas são insuficientes, são ilógicas. Ser ateu é ter um grande fardo a carregar, crer em Deus é revoltante. Se deus não existe, sou responsável por mim e pelos acontecimentos do mundo. Crer em Deus é blasfemar contra a sua criação e contra a existência em geral. Os seres humanos precisam de uma ordem superior pra guiá-los, para colocar a culpa de seus atos errôneos nela. Deus é a criação mais genial do homem. Como disse Voltaire, se Deus não existisse, teríamos que inventá-lo. Pois ele é o bode espiatório ao mesmo tempo é o "todo-poderoso" aquele cuja responsabilidade é julgar os homens e castigá-los como eles merecem. E a responsabilidade humana? e a minha e a sua responsabilidade? Porque será que precisamos ter sempre uma força acima de nós? Seja essa força Deus, ou o governo ou algum outro guru. Por que não saímos de nossa minoridade e iluminamos as nossas mentes? Por que não nos conscientizamos de que os nossos atos são o que movimentam o mundo, que smos responsávei por nossas atitudes e que devemos respeitar as outras pessoas? Como disse Kant, "confiar" em alguém, ter alguém para nos dizer o que fazer, como se fossemos uma legião de formiguinhas, é muito mais fácil que tomar toda a responsabilidade dos nossos atos. Enfim, o maior problema está nas pessoas que finalmente saíram da minoridade, que compreendem o mundo dessa maneira. Esse movimento deveria ser universal, e não deslocado apenas a certos indivíduos. A grande maioria sempre será rebanho. Sempre será guiada ou pela religião, ou pela política ou pela mídia. Aqueles que têm consciência disso são os grandes perdedores, pois a eles cabe toda a dor do mundo: a dor de não poder fazer nada para mudar (quem já tentou mudar alguma coisa, percebeu a inutilidade de tal ato); a dor de saber que tudo é vão e ilusório e que a vida é um palco cheio de idiotas gritando, um teatro que não significa nada.