quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Angústia

Quem foi que viu minha Dor chorando?
Saio. Minha alma sai agoniada.
Andam monstros sombrios pela estrada
E pela estrada, entre estes monstros, ando!
Quem é que nunca sentiu a alma sufocada, quem nunca sentiu um choro abafado que não quer escapar? Um aperto no estômago, uma dor intensa? Quando as lágrimas saem dos olhos, elas não limpam a alma como cantam os poetas, as lágrimas deixam a dor mais apertada, o peito oprimido... Chego a pensar que vou desmaiar, penso que desta vez o meu corpo não aguentará mais. Puro engano: quanto mais me angustio, mais me preparo para novas angústias que estão por vir. E essa é uma dor inevitável. Não tem como fugir dela. Penso em sair, correr, morrer... mas não tenho forças nem para me levantar da cama. então enfio a cabeça no cobertor e ali permneço por um bom tempo. Mal consigo expressar os meus sentimentos... essas linhas que percorro com a tinta saem trêmulas e borradas, o corpo já não mais obedece a mente, ele parece perambular como um sonâmbulo pela noite do mortos-vivos! Meu rosto chega arder, meus olhos, nem mais os sinto... minha cabeça parece uma mesa de marceneiro atacada por sucessivas pancadas... e o pior de tudo é saber que isso não é o fim, o pior de tudo é não saber quando será o fim... O que me resta, afinal, se não sofrer este golpe e esperar que a dor se vá?