sábado, 12 de janeiro de 2008

Desanimada

Cheguei a um ponto em que tudo me é indiferente: as pessoas, as coisas, o céu e o abismo, são para mim tudo a mesma coisa - nada. Dizem que a nossa alma é imortal. O que comprovo agora é o oposto: o nosso corpo permanece enquanto a nossa alma se esvai aos poucos. A alma (o true self) vai se desgastando com o passar do tempo, com as experiência que vai tendo, com o observar a desgraça que é o mundo. Minha alma morreu. E morreu por toda a eternidade! Agora o que me resta é esperar o corpo se definhar até que os orgãos não mais resistam o trabalho pesado de manter a vida, o corpo caia ao chão e os vermes o decomponham num banquete delicioso. Não me importo mais se é dia ou noite, se está frio ou calor, nem mesmo sei que dia é hoje ou que horas são. Sei que vou ter de voltar ao trabalho em breve, mas isso ocorrerá de forma maquinal. Acho que sou um robô de carne e osso. Não sinto mais dor e nem afeto. Virei um grande coração de pedra, um coração de bigorna. Eu já não mais me incomodo com os ratos ou com as baratas, apenas sinto fome, sede e algumas dres nas pernas e nas costas. Eu só queria acabar com o desconforto que é carregar um corpo que não mais me pertence, um corpo que agora poderia jazer sob a terra e alimentá-la para gerar novas vidas que não valem nada, não significam nada e que vão perecer como o meu corpo. É difícil carregar um corpo cuja alma já não mais existe. Eu me lembro de tanto sofrimento que eu chorava e me perguntava porque eu não me matava, porque eu não morria... Agora só resta esperar. Esperar que todos me abandonem aos poucos, coisa que já não mais me fará sentir pena de mim mesma, esperar que tudo comece a desmoronar, esperar que tudo comece a dar errado. Esperar, talvez, ser internada em um hospício ou ser agredida, apedrejada por quem achar que eu esteja maluca. Esperar as línguas venenosas inventando mil e um histórias pra explicar a minha ausência... Esperar, é só isso que me resta...