sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

"O otimismo é uma zombaria amarga das desgraças humanas" Schopenhauer

"Se mostrássemos aos homens as horríveis dores e os atrozes tormentos a que está constantemente exposta sua existência, tremeriam de espanto; e se ao mais convencido otimista fizéssemos visitar os hospitais, os lazaretos, as salas de tortura dos cirurgiões, as prisões, os campos de batalha, os tribunais de justiça, os sombrios refúgios da miséria, e se por último, o fizéssemos contemplar a torre de Ugolino, acabaria por reconhecer de que modo é este "o melhor dos mundos possíveis". (Sscopenhauer)
Interessante observar uma característica de todos os seres humanos: Um instinto inconsciente e inconsequente de se iludir, de sonha, de ter esperança, de ter fé... Quanto mais o ser humano apanha na vida, quanto mais desgraças ele enfrenta, mais aumenta a vontade de alimentas essa esperança. Os homens têm a tendência de olhar para o estrume e ver uma flor. São como Don Quixote, que vêem a beleza no mais tenebrosos abismo. como é difícil encarar a realidade, a feiura das coisas. Como é difícil admitir os próprios erros, ver que a realidade que nos cerca é terrível, que estamos condenados a viver uma vidinha medíocre... Como podemos acreditar que um dia vamos encontrar um verdadeiro amor, que vamos ficar ricos e famosos, que vamos ter a casa de nossos sonhos, que deus existe e está ao nosso lado? É extremamente difícil olhar-se no espelho e enxergarmos que somo seres humanos condenados à ruína, a envelhecer, a parecer e jamais chegaremos em lugar algum, e se chegarmos em algum lugar, o que isso significaria? "Nossa única certeza é a morte", esse é um ditado sábio. Que valor pode se ter a vida quando a encaramos de frente, quando sabemos que nada vale a pena de verdade. O sentimento de suicídio é inevitável. Mas justamente pela "pulsão de vida" precisamos acreditar nesses mitos: No mito da prosperidade, no mito do amor verdadeiro, no mito da vida feliz... Eu violei esse altar e quebrei todos esses deuses de gesso. Quebrei-os um a um quando descobri que eles não passavam de uma invenção maléfica, uma invenção cujo único intuito é aumentar cada vez mais a miséria humana... Realmente, pensar nisso é pensar no que mais dói, na maior ferida narcísica, no pé de Filoctetes. Quem não tem esperança, quem não sonha, quem não se ilude vive uma vida seca. No fundo a ilusão é uma grande peneira com a qual tentamos tapar o sol escaldante que quer derreter os nossos amuletos de cera. Estamos condenados a esperar eternamente por Godot!!!!
Evoco aqui Fernando Pessoa, o grande poeta dos desesperados, a dar a sua palavra sobre a ilusão (A Busca da Beleza) que nos conduz durante a vida:

Nem à nossa alma definir podemos
A Perfeição em cuja estrada a vida,
Achando-a intérmina, a chorar perdemos.
O mar tem fim, o céu talvez o tenha,
Mas não a ânsia da Cousa indefinida
Que o ser indefinida faz tamanha.