quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Escrever é ir além dos próprios pensamentos.

Escrever, para mim, é uma forma de expurgação, um ato catártico no qual tento jogar fora tudo aquilo que me aflinge: as dores, os descontentamentos, as aflições... Escrever pode ser como vomitar ou como pintar uma tela. É um movimento que causa dor e causa prazer. É olhar-se de uma perspectiva interna e refletir aquilo que se tem dentro de si para fora de si. Pensar e pensar e pensar. Escrever é concretizar os pensamentos... É exprimir os sentimentos mais profundos, é ir além dos próprios pensamentos (e sentimentos). Escrever é um desafio, uma tortura e um delírio. Escrevo pois tenho necessidade de expor o que acontece dentro da alma. E o ato de se expressar pode ocorrer de várias formas: através da arte, da literatura, um ombro amigo que escuta, um psicanalista que analisa, ou escrever, escrever e escrever. Sem compromisso com as normas técnicas da ABNT, sem precisar de rimas, sem recorrer às gramáticas normativas... simplesmente escrever o que vem à cabeça e ao coração. Complusivamente ou compulsoriamente, a minha terapia eterna é escrever, mesmo que ninguém leia, mesmo que nem eu mesma jamais leia... Escrever é sublimar os instintos mais perversos, é deixar de atacar inutilmente aquilo que se considera o inimigo. É falar sobre si mesmo consigo mesmo, é falar sozinho para todos ouvirem e para ninguém ouvir... Escrever é o eterno castigo, como o de Sísifo; Estou condenda a escrever para sempre...