quinta-feira, 18 de março de 2010

Hoje


Tenho procurado incansavelmente uma maneira de tornar a existência menos fastidiosa, e assim vou me cansando e me cansando a cada nova tentativa de busca pela felicidade, a tola busca eterna... Que nesta noite as coisas sejam diferentes: que eu durma um sono tranquilo e desperte para uma vida mais doce, mais alegre. Que haja motivos para sorrir, que haja motivos para sonhar.... que a tristeza profunda que sinto deixe-me amar um pouco mais ao próximo e a mim mesma. Que eu possa me perdoar e assim poder perdoar meus inimigos.

Meu mundo sempre foi uma caverna escura. Não que eu não conhecesse o mundo lá fora, mas sempre optei pela treva, pelo anonimato, apenas uma singular existência no meio de um mundo alvoroçado. Sempre temi a face alheia: em cada rosto via um carrasco. Por isso escolhi a introversão. Hoje, aos trinta anos de idade vejo quanto tempo joguei fora sem tê-lo dedicado a uma causa nobre, pois nunca acreditei na nobreza. Hoje quanto tempo sei que desperdicei sofrendo as dores do mundo, mesmo sabendo que eu não era deus e jamais poderia salvar o planeta. Essa manhã acordei com um extremo mal-humor e desse estrado de espírito resolvi tentar viver de forma diferente. Quero agarrar-me nas saias do destino, não mais fugir dele; devo agora buscar um significado, nem que seja apenas um paliativo, um placebo para curar a imensidão de desafetos que acumulei ao longo da vida.

Quero dormir e acordar com um propósito: fazer alguma coisa verdadeiramente útil para mim mesma, esta é a chave para viver-se um pouco melhor. Foi o que pensei hoje...


F.R. Dias