sexta-feira, 7 de março de 2008

Ensaio de Kleber

“Não importa o quanto nos tornemos conscientes, sempre haverá uma quantidade indeterminada e indeterminável de elementos inconscientes que pertence a totalidade do (Si-Próprio)”.Dr. Carl Gustav Jung. A raiz de todo e qualquer pensamento filosófico, crença, doutrina, sendo religiosa ou não, e até mesmo o comportamento cultural de uma determinada sociedade, são agregados num único consciente coletivo. Querendo ou não vivemos de propriedades! A referência espiritual derradeira é o silêncio para além do som. A palavra tornada carne é o primeiro som. Para além desse som esta o transcendente desconhecido, o incognoscível, o pensamento que transcende. Aquilo que é sobrenatural na verdade é natural. A idéia de sobrenatural acima do natural é uma idéia mortífera, e foi justamente esta idéia que na Idade Média, transformou o mundo em algo como a terra devastada, uma terra onde as pessoas vivem uma vida inautêntica, jamais fazendo aquilo que realmente deveriam fazer. Numa terra devastada, as pessoas perseguem propósitos que não são propriamente os delas, mas lhes foram impostos como leis inescapáveis. O que isto me parece, se não morticínio? A lenda do Graal e Tristão trata disso, que o espírito é realmente o buquê da vida não é algo soprado para além da vida e sim provêm da vida. A Queda do Éden vê a natureza como corrompida, e este mito corrompe o mundo inteiro para nós. Quando a natureza é corrompida, todo ato espontâneo é pecaminoso, devendo ser reprimido – e o espírito é a revelação da divindade que é inerente à natureza.Em uma certa tribo indígena do povo Sioux, que viviam nas planícies americana. Vivia enfermo um garoto de 10 anos, muito doente, psicologicamente doente. Estava lá fazia dias, tremia suava, sentia calafrios. A família aflita manda vir um Xamã, para livrar o menino do que afligia, mas o Xamã com a sabedoria em vez de livrá-lo das divindades, resolve adaptá-lo a elas e vice versa. Nietzche; já dizia, “ Tome cuidado ao se desfazer dos seus demônios, pois pode estar se desfazendo de algo que há de melhor em você”. Pois o melhor que esta em você, poderá estar na sua alma, e para onde as pessoas colocaram a literatura da alma? Estamos interessados nas noticias sangrentas do dia a dia, para onde vem e vai o meu dinheiro. Platão, Confúcio, Buda, Goethe, Diógenes, Sófocles, Epicuro e tantos outros por ai a fora, falam dos valores eternos, que tem a ver com o centro do Ser, onde justamente esta localizada a alma, tudo o que podemos pensar vem uma idéia de dualidade de ser ou não ser, de bem e mal, disso e daquilo outro, de Deus e Demônio, luz e escuridão, amor e ódio, espiritualidade e sexualidade, verdade ou falso. Kant já dizia; “ a coisidade em sí, é ser e nem ser”. Esta dualidade na verdade ela funciona como um jogo de sombras, que acaba camuflando a singularidade que existe no todo. Blake o poeta certa vez disse; “ A eternidade esta apaixonada pela produção do tempo”. Nove séculos antes de Jesus, os Upanixades já falavam que céu e inferno esta dentro de nós, todos os deuses estão dentro de nós, todos os mundos estão dentro de nós. Jesus veio dizer; “ O reino de Deus esta dentro de vós”, então decifrando isto, você não precisaria segui-lo nem adorá-lo como fizeram erroneamente, pois quando entender este deus interno você se tornará Deus. O Tudo e o Todo dentro de nós se torna um sonho amplificado e sonho é manifestação, é imagem, energia que borbulha ferve transformando em matéria Corpo, carne, existência que entra em conflito umas com as outras, um órgão quer isto outro quer aquilo, a cabeça é um órgão. Freud coloca como complexos. Jung como arquétipos, mas esta tudo ai, o Cristo inerte dentro de você, os inteligíveis – invisíveis, intangíveis, inconcebíveis, imperceptíveis, inimagináveis, indescritíveis. É a essência do auto-conhecimento, comum a todo estado de consciência. Todos os fenômenos ai cessam. Não há dualidade. É aquilo que esta guardada na sua psique, que é revelado para alguns às vezes por meios de sonhos, rituais ou sinais, mas este último como falava os Upanixades quem tem ouvidos que ouça. Vivemos em um sono profundo, no qual muitos não querem ser acordados. Um provérbio chinês de Lao te Ching; “Aquele que pensa que sabe não sabe, mas aquele que pensa que não sabe, sabe”. Neste caso saber é não saber e não saber é saber. É os mistérios profundos, magníficos, esplêndido misterioso, cujo centro esta em toda a parte e a circunferência em parte alguma. Donde na grande mãe Morte certamente não precisaremos mais de conflitos, de “separatismo”, de “dividualismo”, “creticismo”, “acumulatismo”, “materialismo”, capitalismo, ou até realismo. A realidade é uma Metáfora. kleber kapodanno.