terça-feira, 15 de abril de 2008

A dualidade de uma mesma história - por Kleber Kappodanno

Em uma análise mais profunda dos termos anteriormente colocados, de uma lado nós temos o que podemos chamar “força própria de alguém”, é a disciplina de autoconfiança como no Estoicismo, no Oriente, nos mestre Zen, e em todos aqueles que seguem a doutrina imanente tal, como transcendente. A ascensão ao paraíso, é o seu próprio paraíso. E por outro lado temos as liturgias ortodoxas, de Criador e Criatura, o que podemos chamar de “Força externa, que vem de algo”. Já sabemos que nem todos são filósofos, alguns precisariam de uma atmosfera de incenso, procissões, sinos, gritos dramáticos, música, vestimentas. Para serem catapultados para fora de si. É ai que entra o papel de todas as religiões, que para a grande maioria se fundamentam em símbolos, que chegam a ser imperceptível para aquele que não é filósofo. É a argumentação de Criador e Criatura. Os dois lados são discursos completamente diferentes, mas que se observado de um ponto mais culminante da situação. Na última instância são idênticas, estão falando todos as mesmas coisas. O Salvador externo adorado, contemplado, glorificado, é ao mesmo tempo o salvador interno do Si-próprio da pessoa. A diferença dos dois discursos é que, nas liturgias ortodoxas é o afastamento da realização do si-próprio, é ficar feliz com Deus, com o mistério do Ser dos seres, conhecer, amar e servir, aquele que esta separado, embora onipresente. Já no outro pensamento esta é uma idéia a ser afastada, pois não há um personagem em outro lugar a ser contemplado. A função é de transformação psicológica de valor imediato, no aqui e agora, em si mesma, e não em algo que ainda virá. Temos exemplos claros para as duas maneiras e pensamentos, no modo de aceitar a vida.No primeiro os cultos dos mestres zen, dos pagões, os orientais, e os Mistérios de Mitra. O sujeito teria que passar por sete estágios. Que no cristianismo e outras doutrinas ortodoxas eram vistas como heresia. A iniciação dos sete estágios que o neófito passaria eram colocadas em cultos. Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter, Saturno, em inglês temos os mesmo termos para os dias da semana, de Sun-day; Moon-day; etc... á Saturn – day, de terça á sexta estão em termos germânicos. O indivíduo receberia uma qualidade de tempo-espaço, para eclodir a passagem de seu espírito uma a uma, pela sete limitações, culminando em uma realização de estado absoluto. O primeiro estágio lunar na iniciação, o neófito é posto a se identificar com um corvo. Que é o passaro da morte, isto para quebrar o ciclo de nascimento e morte; as energias vitais, nutritivas, aspecto vegetal, existência. Quando o indivíduo se identificava com o corvo passando pelo portão Lunar. Vinha o segundo estágio, a esfera de Mercúrio – (Hermes grego; Tot egípcio; Odin germânico), era a esfera da magia, da sabedoria, principalmente a do renascimento, o candidato era conhecido como “Mestre Oculto”, logo após vem à esfera de Vênus, a ilusão de desejo ganhava um outro caráter místico. Logo depois a esfera Sol, ele era identificado como um Leão ou Soldado, graduação suprema. Chegando a quinta esfera, Marte, de desafios e audácias, caminhando para Júpiter, que reconheceria a imprudência da audácia e finalmente a Saturno, ao Ser dos Seres. As provações cravavam nos espírito do indivíduo as atitudes essenciais e a virtude Estóica da indiferença de prazer e de dor. Os rituais eram em grutas “caverna do mundo”, “Deusa-mãe” era elucidado o macrocosmo (Universo), mesocosmo (Palavra) e microcosmo ( Alma ). No estágio final era contemplada a doutrina da imanência, e culminava a realidade da transcendência de sua própria existência. Já na outra manifestação contrastante a anterior, no sistema zoroastriano da liturgia ortodoxa, todo o mal do mundo cai sobre o Demônio da Mentira, que no final será destruído quando o Salvador aparecer. Unificando todas as verdades em uma só. Isto pode chegar a um ponto comum de uma mesma visão contrária, de que o mundo não é para ser modificado, mas sim afirmado, até mesmo para o moralista racionalista. O poeta Willian Blake diz; “O rugir dos Leões, o uivar dos Lobos, a fúria do mar tempestuoso e a espada exterminadora. São partes da eternidade, grandes demais para a visão do homem. Casando os dois pólos, não existirá um meio para reformar, mas coragem de afirmar a Natureza do Universo.