terça-feira, 15 de abril de 2008

Fragmento

A amargura, a melancolia, a tristeza são os cânceres da alma - a bile negra que não cessa nunca. Entre o estômago e a garganta, um vômito que não sai, uma ânsia que faz o corpo todo contorcer-se. Entre a garganta e a boca, uma palavra que fraqueja e não soa. Entre a minha boca e tua orelha, um mundo eterno de desavenças, uma imensidão de filosofias dissonantes sem qualquer significação. Entre a minha palavra e o teu entendimento, o absurdo e a estupidez de ambas as partes persistem. Não há como voltar no tempo e nem prever o futuro. Incertezas de um lado e do outro. O presente é guiado por atitudes cegas efetuadas por seres ébrios. Desolados e sem saída, nós somos os homens ocos que habitam a terra devastada. Somos os imbecís que cantarolam no teatro, e que nunca são ouvidos. Somos a ira e a fúria desatinada sem motivo. Somos alienados e vãos.