segunda-feira, 21 de abril de 2008

No meio da Guerra

Eu acho que finalmente
Consegui enxergar
O tamanho do furacão que está ao meu redor
A quantidade de pessoas que gritam
Desesperadas no meio da batalha
Percebi que estou no meio de uma guerra
Onde não há vencedor,
Todos perdem.
Sempre tive uma vida dura
Como uma bigorna que fabrica armas bélicas,
Fogo e água fria em minha pele.
Como eu poderia me sentir,
Se não cheia de cicatrizes e feridas?
A mágica acabou
agora é hora de me levantar
e sair do palco,
onde sempre atuei como figurante....
Durante toda a minha vida
Eu fui colocada para baixo
Mas eu sempre me ergui
Mais forte e mais orgulhosa
Mas percebo o quão pequena
É a minha atuação nessa tragédia
Mesmo assim eu me levanto
E da ponta do abismo ouço
As vozes desesperadas que gritam lá de baixo
Chamando-me para juntar-me a elas
E decidi não me jogar
Ficar e enfrentar
Cada instante da guerra
Cada momento de dor e perdição
Eu me levanto do chão e continuo
Sempre com a cabeça erguida.
Mal sabem os que observam
A derrota que jaz dentro de mim.
Não posso mostrar para ninguém.
A derrota, escondo-a até mesmo de mim.
Caminhando e caminhando
Sem um destino previsto
Entre a poeira e a fumaça
Prossigo minha jornada
Tentando ultrapassar os limites impostos
Tentando fugir dos tiros e das granadas
Fugindo de alguém que nem sei quem é
Fugindo talvez do que eu realmente sou.