domingo, 6 de abril de 2008

Nunca quis agradar ninguém

Nunca quis agradar ninguém. Na verdade eu sou um espantalho que vive a assombrar tudo aquilo que me cerca. Nunca menti, nunca fingi ser quem não sou. Se hoje eu perdi o meu emprego, minha família, meus amigos, é porque não quis trair as minhas convicções. Então preferi a solidão. Entre estar entre toda a gente e os meus pensamentos, prefiro a segunda opção. Cansei de tudo e de todos, para falar a verdade, as vozes falantes me irritam. Falam e falam e falam sem sentido algum - vazio. Dói-me a cabeça escutar. Como tudo isso pode ser assim, tão superficial, tão artificial? Eu não sou assim! eu não me permitiria jamais me transformar em um monstro como todos os outros, não sei que raio de alma do outro mundo eu fui nascer. Ou eu sou um abismo infinito ou todos os outros são terra firme. Não sei quem está certo, eu ou eles? Sei apenas que estou só, com frio, com fome, com sede, mas não posso recorrer àqueles que tanto me ignoraram a vida toda! Nunca! Sei que um dia tudo isso há de acabar, sim, finalmente há de acabar. Enquanto o fim não chega, eu me corrôo em meu ódio por aqueles que fazem vilezas no mundo e vivem a sorrir, sem pagar o que merecem pagar. Não existe justiça. Essa palavra é uma grande farsa da humanidade! Eu nunca vi ninguém pagar o que merece e cansei de ver coitados miseráveis pagando pelos erros dos outros. Enquanto os porcos capitalistas enchem seus bolsos e cofres de dinheiro, crianças do outro lado do mundo morrem de fome, de sede de doenças... essa é a grande justiça que há na terra! Veja que beleza! Conviver com isso é intolerável. Sei que as minhas convicções são avassaladoras, as pessoas se espantam com as minhas idéias. Mas eu não sou livre para pensar o que quero, se fosse, provavelmente pensaria como todos, seria, assim, mais feliz.