quinta-feira, 17 de abril de 2008

O outono desfolhou as minhas árvores,
uma a uma.
Não perguntou se devia,
não quis saber se doía.
Desfolhou uma a uma
Agora, minha paisagem é desértica e seca;
Triste e sem vida
O outono me trouxe desarmonia
Trouxe desassossego
Trouxe um imenso desespero,
terrível e sem fim.
Meus dias agora são toscos,
a natureza, morta,
Os céus sem estrelas,
o mar sem motim.
O outono levou embora toda a minha vida
Levou embora a esperança
Roubou de mim a alegria
Deixando apenas espaço para a desgraça
Ah, outono sem vida,
ah vida sem graça!
Meus olhos, o brilho, perderam.
Meus pensamentos, o fio, distorceram.
Restando uma dúvida esparsa.
Folhas antes verdes, agora secas no chão,
E o rosto enrugado a fitá-las
E o vento seco na pele seca na vida seca
De um mundo árido
num outono vão.