sexta-feira, 25 de abril de 2008

O que importa?

Mãos que tremem
Coração a palpitar agitado
Uma vontade terrível de fugir!
Quero enterrar-me no cemitério mais próximo!
Parem o mundo que eu quero descer!
No final das contas
Toda essa angústia austera
Não passa de uma grande tolice
A qual não se pode evitar
Tive vontade de vomitar
Tive vontade de correr
Tive vontade de gritar
Mas sentei-me à mesa
Com elegância
E mais talentosamente que a melhor atriz
Fingi vigorosamente não ser eu
Depois disso, não sei mais quem eu sou de verdade
Se sou angústia ou se sou vaidade
Se sou uma farsa ou se sou verdade.
Os tempos verbais se misturam em minha cabeça
Fui ontem ou serei amanhã?
O que sou hoje afinal?
Tenho nojo de tudo.
Um gosto amargo sobe à boca.
Mas sorrio e pareço feliz
No meio dessa gente estranha
Na verdade essa gente não é estranha
Eu é quem sou.
Definitivamente, eu é quem sou
Não pertenço a nada disso
Nada disso me pertence
Oras, de onde sou afinal?
Nasci por acaso no reino dos sonhos?
Ou serei eu fruto da imaginação de algum doente mental?
Quem, quando, onde?
Essa droga não me deixa pensar.
Eu esqueci completamente
De tudo que existiu, que existe... E não sei o que existirá
Será verdade, tudo verdade?
Acho que estou amarrada agora
Sinto um suor frio correndo pela testa
Vejo um sala branca, pessoas de branco
Seringas cheias de líquidos...
Eu me perdi ou estou perdida?
Eu errei ou tudo estava errado?
Eu me feri ou fui ferida?
Eu morri ou fui morta?
Incógnita.
Eu não acredito em Deus
Eu não acredito na vida
Eu não acredito na humanidade
Eu não acredito em mim.
O que fui, o que serei ou o que sou...
O que importa?
Foda-se então!
Seja o que for
Let it be.
Live or let die.
Vou abrir mão
Vou deixar morrer então.
Descobri a questão mais útil de toda a minha vida:
O QUE IMPORTA?
O que importa? afinal, o que importa???
Nada disso! Nada nada nada!
Deixe morrer, deixe viver
Não me importo mais.