segunda-feira, 14 de abril de 2008

O Vil Metal

Uma pessoa de posse possui diversos amigos. É sempre bem-vinda a qualquer lugar que vai. É sempre bajulada, aclamada, adulada. Mas essas pessoas dotadas de bens materias, na maior parte das vezes, mal sabem distiguir a hipocrisia da verdade. Elas acreditam piamente nas inverdades de seus puxa-sacos e afastam-se impetuosamente daqueles que os criticam de forma a mostrar seus defeitos mais latentes. Essas pessoas de posse preferem estar rodeadas de falsos amigos a estar entre aqueles que verdadeiramente conhecem o seu valor. Nesse sentido, o rico afasta-se cada vez mais da realidade e vive em um gigantesco sonho, que parece sem fim. Entretanto, não acho possível que essas pessoas de posse consigam dormir tranquilamente, pois estão sempre a achar que seus lacaios estão de olho na sua fortuna, sendo assim, uma pessoa extremamente solitária: pois não tem nem a si mesmo e nem os outros. Não tem a si mesmo porque se apega de tal forma em seus bens que mal pode pensar em outras coisas, não tem valor em si, não tem inteligência, não tem senso crítico e nem mesmo dignidade. Não tem os outros porque todos os que o cercam são, para o homem de posses, apenas mais uma mercadora a qual se paga e se tira proveito, mas depois a encosta em qualquer canto quando não mais lhe for útil. O homem rico e pródigo quer preencher avidamente um vazio existencial que nem ele mesmo se dá conta de ter. Por isso está sempre entre muitas pessoas, bancando festas orgíacas, fazendo demostrações de suas propriedades e vangloriando-se de ser portador de uma boa quantidade do vil metal. Nessas circunstâncias, obviamente o dono do metal atrairá cada vez mais e mais "fiéis" para o bajularem. O dinheiro compra tudo, só não compra o verdadeiro amor que, muitas vezes, é arremessado para bem longe, pois o brilho do metal cega tanto aqueles que o têm que eles mal podem distinguir as coisas. Não escrevi aqui uma apologia contra o dinheiro. Apenas demosntrei o valor ilusório desse produto. Ter dinheiro é questão de sobrevivência, ser ganancioso, muitas vezes, faz-nos tornar pessoas vazias e indignas.