quinta-feira, 3 de abril de 2008

À Espera

Quanta contradição! quanta lástima, quanta miséria. Misericórdia é estar de acordo com a miséria humana, com a desgraça, com o absurdo da vida. Morrer! eis o grande triunfo! eis o único destino, inexorável e certo! morrer e apagar as chamas do malefício interno! apagar o diabo e o próprio inferno! Morrer e conduzir-se ao pó e às cinzas, ao nada absoluto.Minha alma é lânguida e inerme.. Como uma flor que murcha, perstes a ser decomposta por um verme. A carniça prestes a devorar um corpo. O abutre esperando a sua refeição. O caixão feito sob medida para o defunto! Eis a grande metafísica do mundo. O grande mistério é jazer no fundo da cova fria. E o resto? Não, Deus não existe! A morte é a morte eterna e Deus será a mentira eterna a conduzir a vida dos homens... E as serpentes da terra, sempre a envenenr os corações dos homens, plantando a maldição e a discordia no fundo de cada um.
Como não voltar os olhos lacrimejantes para o céu em clamores e blasfêmias? Como suportar a mão impiedosa de um destino tão vil? Eu espero a morte com a menina apaixonada espera à janela o seu primeiro amor. A Morte virá me beijar um dia. Para ela eu dedico toda a minha devoção. Minha alma não é nada senão uma luz ofuscada, um lampião prestes a se apagar, Ou uma louça gasta prestes a se ruir em pedaços.