sábado, 12 de abril de 2008

Sofrer é auto-crescimento.

Quem foi que disse que ser sensível demais, que sofrer demais é algo ruim? O sofrimento é a fonte do conhecimento! Ninguém aprende a caminhar sem antes tomar uns bons tombos! Ninguém aprende a filosofar sem sofrer pelos males da vida e do mundo. Eu sou uma grande amante da sabedoria. Conhecimento sem sofrimento é superficialidade. Sofrer é ir a fundo, é sentir a dor do outro, é sentir a dor do planeta, a dor da existência... é sentir a dor do descaso de alguns seres humanos pelos outros seres humanos. Sofrer é conhecer intimamente, é carregar por dentro de si um peso incomensurável. Sofrer vem da palavra latina sub-fero que significa carregar, levar, trazer, mas o termo fero também pode significar, de acordo com o Dicionário do Latim Essencial (ed. Crisálida) elevar, exaltar, elogiar, celebrar, produzir, dar, render, causar, avançar e guiar. Claro que muito dessas conotações podem ser atribuídas às ideologias de controle, como o Cristianismo, por exemplo. Mas a sabedoria das palavras pode levar-nos muito mais além de todas essas concepções. As grandes filosofias, as filosofias mais profundas e mais condizentes aos seres humanos vieram de pessoas que sofriam extremamente com a miséria humana. Para citar uns poucos: Schopenhauer, Nietzsche, Camus e Freud. Todas essas mentes brilhantes deixaram-nos um legado de sabedoria e conhecimento. Através de suas dores, puderam criar, produzir, causar.... Sofrer faz-nos transcender, ou seja elevarmo-nos acima do âmbito aparentemente real. Sofrer é enxergar além. Sofrer é criar e produzir pensamentos, sentimentos, opiniões, é ver além do aparente. Você conhece alguém que consegue ultrapassar o limite da mediocridade sem ter sofrido? As pessoas que nunca questionaram nada são as pessoas que nunca sofreram. Sempre aceitam tudo o que lhes vem de bom grado. Já as mentes perturbadas, as mentes questionadoras ultrapassam esse limite, por isso sofrem. Não conseguem entender a lógica de tudo isso. Não conseguem entender porque o mundo é assim, e estão sempre a afrontar as opiniões pré-formuladas que lhes é imposta. As pessoas que sofrem são egoístas, mas muito mais egoístas são aquelas que se contentam com o que têm e mal conseguem olhar para o lado, como se usassem um cabresto que as impedisse de observar a miséria em que vivemos e em que condições precárias estamos a caminhar em direção. Já pensei em mudar o mundo, já pensei em revolucionar, entretanto não creio que eu possa mudar muita coisa ao meu redor. O que posso fazer, então, é desabafar comigo mesma, é tentar compreender cada vez mais as origens da desigualdade humana, da ambição, da ganância, do ódio e da injustiça. Cada vez mais me convenço que o ser humano não é um animal racional, e sim uma praga, um vírus ou uma bactéria... um câncer a corroer o planeta até fazê-lo morrer, um parasita. Entender em profundidade algumas coisas me faz sentir melhor e, ao mesmo tempo me faz sofrer. Jamais serei mais um tijolo na parede, apesar de sê-lo, de uma certa forma. Mas sou um tijolo melhor, um tijolo consciente de seu papel na estrutura de uma muralha. sou um tijolo com olhos e boca para enxergar a sujeira e condená-la. Mãos atadas. Não posso enfrentar sozinha os grandes demônios. Mas hei de denunciá-los um a um. Hei de blasfemar contra todo o legado sagrado da humanidade, hei de desmoronar as crenças falsas de bondade, de fraternidade e de solidariedade! Só os românticos, como eu, acreditam nessas farsas! Hei de gritar tão alto, até estourar os tímpanos de algumas pessoas e contaminá-las com o meu sofrimento enriquece-dor!