domingo, 11 de maio de 2008

Humilhar e Ofender

Nessas últimas semanas meu humor tem oscilado entre o desconforto e à total indiferença. Confesso que o segundo sentimento tem sido predominante. Sofri muito durante minha vida, talvez mais do que merecesse. Fui ignorada por pessoas que amei, fui menosprezada nos lugares que passei, vivi acuada, escondendo as minhas feridas. Nunca fui capaz de me apaixonar por nada nem por ninguém. A única coisa que eu sentia era dó de mim mesma por ser uma criatura tão estranha. Só conseguia pensar nas minhas próprias dores, no meu orgulho ferido, na minha vaidade esfacelada... Eu sofria intensamente a cada olhar das pessoas, tudo me era reprovação. Eu sofria a cada vez que procurava alguém, pois sempre ouvia não de todas as bocas. Eu sofria desesperadamente quando precisava sair de casa para fazer qualquer coisa, pois eu seria inevitavelmente subjugada por todos, seria por todos humilhada e por todos ofendida. Então desisti de querer ser o que eu não era para agradar os outros. Resolvi ser que eu sou. Passei a ignorar as pessoas, o tempo e as circunstâncias do momento em que vivia. Passei a viver menos desagradavelmente. Comecei a sair de casa de pijamas falando sozinha, sem ao menos me dar conta das caras humanas que me observavam. Passei a gastar mais do que podia, e depois dormia sem me preocupar com as dívidas. Depois passei a menosprezar as outras pessoas, passei a subjugá-las, a ofendê-la e a humilhá-las se, por ventura, dirigissem a palavra a mim. Percebi que dessa forma o tempo passa mais rápido, e parece até que eu não tenho mais tantas feridas dentro de mim. Minhas dores são mais amenas, eu me preocupo mais em pensar qual será a melhor resposta que darei a alguém que queira me fazer algum ataque; passo o dia pensando e pensando qual a melhor forma de ofender os outros, e com isso acabo tendo menos tempo para sofrer. A vida passa mais rápida e eu hei de morrer um dia. Não vejo a hora de me entregar ao nada, de viver o nada... Deixar esse mundo absurdo, que mais parece um manicômio desorganizado. Hoje eu me pergunto? qual é o segredo da felicidade do Homem? humilhar e ofender incessantemente as outras pessoas. O ser humano é realmente um lixo escroto. Um câncer nojento sob a face do planeta.