domingo, 18 de maio de 2008

Um sonho

Essa noite eu tive um sonho - um sonho revelador. Sonhei que eu descobria que não se pode obrigar ninguém a gostar de você. Sonhei que nem todas as pessoas têm o coração límpido, repleto de ternura como os corações de minhas mães. Elas me ensinaram a amar todos os seres vivos incondicionalmente. Elas jamais me ensinaram que os seres humanos eram injustos, hipócritas, traidores e perversos. Minhas mães me acolheram em seus braços com tanto amor e carinho, com uma energia tão iluminadora que me cegou os olhos da malícia. Quando eu conheci o mundo de verdade, achei que tudo era um grande pesadelo. Pensei que eu estava louca, e descobri que realmente estava. Eu esperei tanto das pessoas. Eu achei que um dia eu poderia ser amada igualmente, assim como dizem que Deus ama seus filhos de forma justa e idêntica. Mas descobri que Deus nunca existiu, e que o ser humano é imperfeito, e que nem todos têm a capacidade de amar. Cresci com um sonho inútil: ser feliz ao lado de pessoas que me amassem. Caí de uma altura sem tamanho. Eu me machuquei inteira, mas hei de me recompor aos poucos. Eu mereci o que sofri, e a partir de agora devo seguir a minha vida curvada, resignando todos os meus sonhos utópicos e ajoelhando-me à vontade soberana da vida. Sim, a vida quis assim: quis que eu sofresse, o que não implica uma punição ou pena, pois certamente não cometi nada de errado nesses meus parcos anos de vida. resolvi aceitar estoicamente o que me foi imposto pelo destino: a injustiça. Sempre tive uma solene convicção de que todos os pais do mundo devem amar seus filhos de forma igualitária. Eu sofri muito quando descobri quanta injustiça me foi imposta e que é imposta todos os dias às crianças do mundo todo. Quantas lágrimas amargas já derrubei? Estou farta, realmente farta de tudo. Se eu não começar a pensar de forma diferente, creio que acabarei enlouquecendo.