sábado, 9 de agosto de 2008

Depressivos

Se eu pudesse arrancar, lá do fundo abismal da alma, todos os medos, as angúsias, o sentimento de inutilidade... Se eu pudesse transformar os pensamentos negativos, se eu pudesse ver nas pessoas não inimigos, mas companheiros de jornada, talvez a existência se tornaria um fardo muito menor, talvez um fardo muito pequeno. Mas a constante impressão que tenho é de que venho carregando há muito uma cruz gigantesca, muito maior do que a minha força e capacidade. Não quero ser um Cristo, nunca serei um Cristo. Mas a metáfora da cruz cai bem para designar o peso que a existência tem me causado. Interessante saber que as pessoas se afastam por completo de seres estranhos como eu quando conhecem esse lado abismal. Talvez elas sintam medo de despertar os mesmos sentimentos dentro delas mesmas, ou talvez elas não compreendam o valor simbólico de uma depressão. As pessoas costumam achar que nós, depressivos somos pessoas mimadas, pessoas que se colocam em uma situação difícil e não fazemos o mínimo esforço pra sair dessa penosa jornada. Mas lá no fundo, o depressivo não pode ser outra coisa, pois o mundo lá fora é ameaçador e falso. O mundo lá fora é cheio de víboras sedentas por vingança, sarcasmo e humilhação... Mas o pior de tudo é saber que nada faz sentido, que a existência não passa de um grande absurdo o qual não se pode controlar... Um imenso engano...