domingo, 23 de novembro de 2008

O que é violência?

Quando ouvimos a palavra "violência", o que logo nos salta à mente são cenas de crimes chocantes, assassinatos, estupro, pedofilia, espancamento, esquartejamento, tiroteio, gente baleada, morta e ferida... Tantas são as cenas de horrores que nos assolam todos os dias. Entretanto, se partirmos do pressuposto de que violência é todo e qualquer ato deliberadamente praticado ou não, de uma pessoa a outra que, em quaisquer circunstâncias, causa danos à vida, logo poderíamos abranger muito mais o nosso leque de definições. O descaso, a calúnia e difamação, o assédio moral, a ironia direcionada, o insulto, um olhar maldoso, um gesto brusco e estúpido, o abandono são todos atos violentos que são praticados no dia a dia de nossas vidas e que, muitas vezes, não são considerados com seriedade. Não obstante, todos esses atos refletem-se na vida e na psique dos seres humanos e trazem de alguma forma, danos irreparáveis à auto-estima e às atitudes futuras dos seres que passam por essas frustrações. Um clássico exemplo é a diferenciação que uma mãe pode fazer entre os filhos. Essa diferenciação pode ser deliberada, consciente ou incosnciente. Conheço alguns casos típicos de diferenciação e os reflexos que isso gera na vida futura de uma criança. Ana tinha dois filhos, um menino e uma menina. Ela claramente preferia a menina que se parecia com ela ao passo que o menino tinha muito em comum com o pai. Ana tinha muitas mágoas passadas com o pai de seus filhos e incoscientemente descontava essas frustrações no menino. O menino cresceu triste, deprimido, com uma auto-estima baixíssima ao passo que a irmã, sempre privilegiada, criou uma visão de vida otimista, pois sua auto-estima era sempre exaltada pela mãe. Seria esse típico caso uma violência? Especialmente quando esses casos acontecem na infância, o quadro, muitas vezes, pode ser irreversível. Um pai que renega um dos filhos enquanto cria outros com tudo que há de melhor gera nessa criança renegada um imenso senso de injustiça e de impotência perante a inexorabilidade da vida. Uma criança insultada por sua aparência física ou por qualquer outro aspecto de sua natureza - seja a forma como age, como pensa como vive - terá em sua vida adulta o desafio de superar todos os danos que lhe foram gravados em seu subconsciente. Uma criança abandonada terá de enfrentar o medo da solidão que lhe deve assolar a vida adulta. E assim por diante. Os casos de violência "indireta", ou seja, violência não física, também aparecem todos os dias na vida adulta. Porém, um adulto cuja infância tenha sido mais branda, mais serena, e a violência indireta menos constante (já que seria impossível não sofrer qualquer ato violento durante a vida), terá muito mais estrutura para suportar as afrontas, as ameaças que sofrerá de outros adultos. O assédio moral é um desses casos e acontece em quase todos os aspectos da vida - seja na profissional, pessoal ou familiar. Uma das diretoras de uma grandecompanhia tem um enorme poder em suas mãos. Ela é resposnsável por mater a sua equípe trabalhando e deve observar o desempenho do trabalho coletivo e individual. Essa diretora, em um determinado momento, pode sentir-se ameaçada por alguém que faz parte de sua equipe, pois vê nessa pessoa um certo potencial que um dia poderá tirá-la de seu cargo de poder. Logo qual é a a reação instintiva dessa pessoa? É de tentar a todo o custo depreciar o trabalho de quem a ameaça. fazer com que todos acreditem que a tal pessoa seja isso e aquilo de acordo com a sua vontade. Alguém que chega a um cartgo de direção é alguém com um grande domínio com as palavras e que sabe perfeitamente manipular os outros, se assim não fosse, sdeu cargo não seria o mesmo. Logo, a tal diretora ameaçada usará de todo o seu potencial para aniquilar a sua possível rival. As pessos que a cerca, por medo, por conveniência o simplesmente por pura ignorância, devem seguir as recomendações manipulativas da "poderosa chefona". E o que acontece com essa pessoa socialmente excluída? Sua estima cai, seu potencial desaparece, sua vontade de viver e batalhar perdem forças e seu senso de justiça vira um grande sentimento de impotência perante tal situação lastimável. Esses exemplos servem apenas como ilustrações de tantas outras barbaridades cometidas entre os seres humanos todos os dias. Seria impossível enumerar aqui metade dessas violências terríveis. Quantro mais observo as atitudes das pessoas, mais percebo o quão distantes elas estão do Esclarecimento, da Empatia e do Amor.