quinta-feira, 28 de maio de 2009

Definindo um pouco...

Uma personalidade não convencional. Um tanto taciturna, um tanto sombria. Uma rosa que fecha-se sobre si mesma. "A minha alma é lânguida e inerme". Ritmo biológico noturno, sou apaixonada pela lua, pela névoa e pelo frio. Uma mente inquieta e inquietante, não recomendável aos intelectualmente pobres ou aos convictos insolentes. Meu preconceito é dirigido contra pessoas preconceituosas, aos aparvalhados por opção e aos insípidos. Confesso que tenho preguiça de cultivar amigos; eles dão muito trabalho e nem sempre conseguem entender o meu humor oscilante, ora soturno, ora engajado em demasia (com coisas inúteis, diga-se de passagem). Enfim, condenada pelo extremo caráter forte e pelos pensamentos e idéias que beiram o absurdo Beckettiano. Portanto, alguém, por mais diferente que seja, alguém. Uma pessoa, muitas personas. Um rosto, várias máscaras. Um vulcão prestes a irromper a monotonia densa da vida anódina. Fiz muitos inimigos na vida, sim... na verdade percebi que sou um empecilho financeiro, tanto de um lado da herança (como se isso fosse grande coisa!) e também do outro. No final das contas, todos terão de me engolir, afinal, eu existo! Para a infelicidade de muitos, eu nasci e para a minha infelicidade, ainda não morri. Talvez o que mais irrite os meus inimigos seja o fato de que, apesar de eu gostar muito de dormir, eu ainda me movimente. Consigo, sem querer, perturbar a perfeição do silêncio e irromper do chão de pedra. Tudo faz sentido quando finalmente descobrimos o mal que causamos aos outros, o mal de existir, de ter nascido e ter de dividir cifras um dia. Tudo é culpa do vil metal, ou seria culpa da mente deturpada da criatura que um Deus tão digno criou a partir de seu narcisismo egocêntrico? Crer em Deus, outra atividade que me é estranha, mas como é estranho acreditar em uma criatura que criou o mundo... muito mais estranho ainda é ver as línguas fervorosas de alguns moralistas jorrando enxofre do inferno na minha cara por minhas contestações. É inacreditável perceber que gente assim pregue um Senhor do mundo tão justo, tão honesto e tão maravilhoso... Essas línguas sulfuradas são as mesmas línguas que julgam, que dissimulam, que recriminam, que roubam o pão do outro, violam o descanso dos mortos. Ora, às vezes penso que sou um tanto esquizofrênica, pois enxergo o mundo como uma grande ameça, com alguns bons prazeres, é claro, mas uma ameaça constante. Assim, a vida ora me parece uma piada de mau-gosto, ora uma tragédia digna de Eurípides!