domingo, 23 de agosto de 2009

Exílio emocional

Estou ausente. Eu não me sinto em condições de manter uma vida social. Estou com a alma cancerosa. Preciso de tratamento mas não sei para onde correr. Nos meus olhos, somente nos meus olhos se pode ver a tristeza, a amargura e a dor que a vida cismou em me castigar. Tenho dormido pouco, tenho lido pouco e trabalhado pouco. Vivo uma sina cruel, sinto-me presa em um labirinto cuja saída jamais conseguirei alcançar. Sinto-me traída pelo destino e pelas pessoas. Hoje, quando olho ao meu redor não vejo mais ninguém. É triste ser sozinha, mas ao mesmo tempo o que eu tenho para oferecer às pessoas? Um bom papo? Dinheiro? Mordomias? Regalias? Não! Nada disso tenho a oferecer. Nem mesmo um ombro amigo, pois vivo entorpecida pela minha própria amargura, como hei de ouvir os outros? Sou egoísta? Sim! Existe solução? Não a encontro! Apenas quem vive no mundo do desespero sabe o que é estar preso nas entranhas da maldita loucura... pânico, agorafobia, ansiedade generalizada, são esses os rótulos que andam dizendo por aí, mas quem se importa com a cura desses males? Sou tão vítima e tão culpada que apenas posso sentar-me e lamentar. Oh, situação miserável! Oh, vida lastimável! Não quero sair mais de casa. Fechei todos os possíveis circuitos sociais. Cansei das pessoas, cansei da vida. Agora só espero que cada dia se torne mais vazio, para que eu possa me deitar mais cedo e levantar mais tarde. Viva a vida misantrópica!