terça-feira, 22 de dezembro de 2009

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Não, não quero ser feliz a custa de remédio, ou camuflando tudas as verdades cortantes que vejo. Não quero me passar por cega, nem surda e nem muda. Não! para mim já basta o sofrimento de conhecer a verdade! a verdade de um mundo corrompido e miserável! Já chega de tentar querer mudar as coisas. Estou farta de ouvir risadas ao vento, não quero ser assim jamais. Não quero olhar o mundo com indiferença e nem com escárnio. Minha alma é muito mais sublime, muito mais trágica. Não é possível fingir indiferença, não posso tapar o sol com a peneira! E quem no mundo é feliz? A receita da felicidade é ser vazio, um completo vazio... É isso que você realmente quer, ser uma máquina que vai pra lá e pra cá em função de um sitema muito mais complexo que jamais poderia entender e nem questionar? Um marionete? é isso mesmo? Não! Prefiro caminhar com os pés descalços sobre o lodo. Prefiro me queimar nas brasas quentes da amargura de ser um ser pensante. Pensar é sofrer, e pensar não é pensar qualquer coisa, pensar é olhar fundo, penetrar no impenetrável. Pensar é experimentar a agonia de não poder fazer nada, mas apenas ser um ser pensante...