terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Augusto dos Anjos Revisitado


Sou uma grande fã de Augusto dos Anjos, ele fala tão lindamente tudo aquilo que sinto. Uma vez um amigo meu me disse para parar de ler "essas coisas" (Schopenhauer, Augusto dos Anjos, Camus...) porque elas estavam me influenciando. Esse tal amigo realmente não me conhecia... e nem sabe que nós escolhemos as leituras que fazemos e não são elas que nos escolhem. Se leio tais autores é porque me identifico com eles. Tentei muitas vezes ler Voltaire, Montainge, Jane Austen, mas não consigo passar de três ou quatro páginas. Quando pego um Edgar Allan Poe, por exemplo, leio atentamente e nem percebo quando chego ao fim... E quando leio Dostoievski então? Nossa, algumas passagens dele parecem ter sido escritas por mim. Poesia é algo que realmente tem que tocar na alma para a gente gostar. Um autor que me toca profundamente é Augusto dos Anjos. Esse poeta é sensacional. Ele consegue ser um existencialista materialista por incrível que isso pareça. Como eu! Sou uma materialista incorrigível, mas ao mesmo tempo tenho minhas preocupações existencialistas que me consomem o tempo inteiro... algumas contradições incrivelmente estranhas. 

Sou uma sombra, venho de outras eras, do cosmopolitismo das moneras... sou um pólipo de recônditas reentrâncias... Filho do carbono e do amoníaco, monstro da escuridão e rutilância, sofro desde a epigenesis da infância a influencia má dos signos do zodíaco. 

A mão que afaga é a mesma que apedreja; e o verme anda a espreitar os meus olhos para roê-los e há de deixar apenas os cabelos na frialdade inorgânica da terra...

Lindo, não?