segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Reticências parte I



Às vezes o coração dói, dói tanto que tenho vontade de me deitar e passar o resto do dia chorando muito. Não por uma paixão qualquer, não por um amigo qualquer... Simplesmente por sentir e saber que não pertenço. Pertence a que? me perguntariam os gramáticos mais frívolos à espera de um complemento verbal, um adjunto adverbial de lugar. Não pertence ao mundo? a um grupo social? a uma fanília? Simplesmente não pertenço, sem complementos.

Estranho? Não, é a minha forma de colocar a dor para fora, criando expressões bizarras, palavras erradas ou frases desconexas, mas que fazem sentido para mim e apenas para mim. O leitor está morto! Não o autor e nem o texto... o autor morre fisicamente, mas seu texto ainda é o mesmo, carregado de sentidos que só quem escreveu sabe o que significam. os leitores morrem, aparecem outros leitores que interpretam o texto sob esta ou aquela ótica, mas o texto é MEU porra! Só eu sei do que quero falar.

Enfim, não nos preocupemos com sentidos absurdos nem com o que haverá de ser num futuro tão remoto, tão decadente... as pessoas... que triste olhar para elas e não ser como elas. Que triste não compartilhar fantasias, sorrisos e cervejas. Isso é não pertencer, sabe? É triste, chega rasgar o coração (claro, o coração figurativo). É triste olhar uma família feliz e não poder contar com ninguém... estou afundada em dívidas e o meu sonho mais profundo, descobri isso a pouco, era ter gente para me ajudar... eu queria ser o que nunca serei. Queria ser uma pessoa que tem amigos, que tem família, que tem com quem contar... mas nunca serei essa pessoa que sonhei ser, sou esse projeto futuro de carniça que cisma em não morrer. E para terminar da forma como alguns leitores esperam digo "ó céus, ó vida" e vou para cama dormir no feriado da cidade mais podre do mundo.