domingo, 14 de fevereiro de 2010

Enquanto o meu cérebro estiver funcionando...


Eu cantarei em louvor ao ateísmo!
Lovarei a inexistência divina
Gritarei fervorosamente às misérias humanas
Ao caos, a desgraça e a pobreza...

Enquato o meu cérebro estiver funcionando
Jorrarei meu sangue e derramarei minha carne
em louvor da ausência suprema do sagrado
Eu cantarei mais forte que meu peito
À praga, à epidemia, à doença
às chagas, às feridas aberas, ao sangue jorrando
ao corpo que apodrece em vida

Ontem encontrei um homen negro na rua. Ele me pedia uma moeda de um real para chegar ao hospital
Não sei o que lhe aconcetecera, não entendia sua fala distante
quando ele chegou mais perto de mim
Senti o cheiro de seu deus tão maravilhoso
Um cheiro de carne podre, de larvas a corroer um corpo ainda não pronto para o caixão.
Pude observar suas unhas e se eu acreditasse em diabo
certamente aquelas seriam as unhas dignas de um, pobre diabo aquele homem...
Seus olhos... mal podia olhá-los, era pura miséria, pura humilhação
Como deveriam ser os olhos de um cristão
Entreguei uma moeda ao homem, não por que acho que deus vai me retribuir o ato generoso
mas sim poque pensei que o homem necessitava de algo para acalentar seu sofrimento...
Se não fosse pegar um  ônibus ao hospital, certamente tomaria uma dose no bar
E se eu fosse esse homem, tentaria algo mais forte,
pois o que seu corpo semi-podre necessitava não era de um médico nem de uma dose
mas sim de um caixão.

Descanso eterno! Não existir, que sonho absurdo o e não-existir! Uma ideia quase inconcebível
mas uma hipótese certa!
A vida desses parabolistas é rica, certamente cheia de diheiro, de médicos, de confortos... de lençóis limpos e casa cheia de flores, talvez um jardim.
A minha vida, dela também não posso reclamar. Também tenho médico e tinjo meus cabelos de vez em quando. Durmo em lençóis limpos, embora nem sempre novos.
A minha vida deveria ser um arco-íris, mas eu só vejo o preto no branco. Eu sinto dor, muita dor.
Meu organismo é saudável, mas minha mente é doentia.
O mundo é para mim uma casa de doidos onde me enfiaram sem eu saber e não sei por onde escapar!
Sim, caro leitor, eu poderia ser como você mas não sou! Tenho princípios que estão acima de deus!
Acho-me uma criatura muito mais digna do que qualquer outra que tenha conhecido... ao mesmo tempo são tão pobre, espírito pobre... criatura infeliz.
Por isso decidi cantar aos doentes, louvar as chagas mais fedorentas da face da terra!
E assim hei de viver até os fins de meus dias.
Louvando a ti, miséria humana, que é a única verdade que posso acreditar!