terça-feira, 2 de fevereiro de 2010


Mais um semestre de trabalho que se inicia, mais uma vez terei de concordar comigo mesma o quão vazia e insignificante é a minha existência. Ao lidar com o público percebo isso com muito mais nitidez, pois eu não tenho brilho, e não brilho porque estou desprovida de anima, alma, energia vital. Meu corpo cansa-se facilmente, como se fosse uma anciã. Meus olhos tentam exergar, mas apesa vêem. Meus ouvidos tentar escutar, mas apenas ouvem. O mundo parece tão cinza, tão vago... todas aquelas caras sorrido para mim, ou de mim, quem sabe, um dia se apagarão no meio do nada... todos aqueles olhares curiosos, ou cheios de escárnio, ou arrogantes ou aflitos ou sensíveis hão de perder a luz e apodrecer na imensidão da terra... todos aqueles rostos a me fitar, todos aquele corpos inquietos em suas carteiras, todas aquelas mãos que tomam anotações em seus cadernos hão de desaparecer. E eu pareço eterna, eu que tanto almejo à cova fria acordo todos os dias e saio de minha cama quente para reencontrar olhos, bocas, narizes e corpos... Meus ouvidos à noite me atormentam com as pequeninas vozes a urrar e o eco de cada uma delas parece um castigo perpétuo. Aquele giz, aquele apagador, aquelas palavras que proferi desaparecem ainda mais rápido do que o ruído dos pés e das cadeiras se entrechocando ao tocar o sinal do fim de aula. E eu, permaneço ali, quieta, como um defunto que esqueceram de velar, um defunto que esqueceram de enterrar, um corpo inerte que precisa movimentar-se até a casa para novamente despertar pela manhã e vivenciar mais um dia igual aos outros dias...