segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Melancolia


Como é que pode não existir, se a dor é tão real? tão intensa? Não consigo fugir, e se fugisse, estaria fugindo de quem afinal? De mim mesma jamais conseguirei me desvencilhar. Não posso mais pensar, não quero mais pensar... Estou sofrendo os dias que se chamam de inferno astral? Minha cabeça dói, meu estômago dói, tenho vontade de dormir, mas o calor é muito forte, eu não consigo nem com as minhas bolinhas... Sinto cada dia mais insuportavelmente longo, incerto e desconfortável. Sinto cada poro de meu corpo suando, sinto cada palpitação lenta e fraca do meu coração e sinto, lá no meu íntimo, sinto que não morrerei tão depressa, e que se eu realmente quiser morrer, eu mesma tenho que tomar as providências.

O que é isso que se chama vida na verdade? o prazer e a dor são opostos? mas eu sinto muito mais dor, quase nunca prazer, talvez um chocolate me dê prazer... Se a infelicidade é a falta da felicidade, qual das duas é verdadeira? ambas ou nenhuma? E se a lágrima é a presença física da dor, como podem os olhos transbordarem de felicidade ou emoção?

Nunca quis ser ninguém. Nunca almejei grandes cargos na vida. Tudo o que tenho e o que sou hoje foram acontecendo. Estudei, me formei e acabei casando tão nova que acho hoje que esse foi um dos piores erros da minha vida. Talvez o pior deles é ter escolhido ser professora. Os dois erros juntos somados a uma grande insatisfação nata somam o que sou hoje. Será que se eu tivesse escolhido ser mendigo não seria tudo melhor do ponto de vista emocional? Talvez não, certamente não. Tudo seria a mesma coisa com roupagens diferentes.

Eu não ouso quebrar o silêncio da noite com uma palavra. Não ouso me levantar e fazer um mínimo barulho sequer. Só ouço a minha respiração, lenta e forte. Repleto silêncio é algo tão dignificante! Algo tão puro em sua essência! Tenho vontade de que esses minutos se tornem eternos... são na verdade eternos, a vida é longa demais para o que tenho nela a fazer, longa demais, lenta, torturante...

Espreito-me às escondidadas, às vezes, lá no fundinho de mim mesma na ânsia de observar meus desejos mais íntimos, e sempre uma vozerão alto me atrapalha, eu não sei de quem é, ou quem é, mas me desconcentra e eu perco o foco e acabo deixando pra lá. Também, o que adianta saber se nada iria mudar mesmo. E e um dos meus desejos mais íntimos fosse morar na Inglaterra, eu o faria? Não, tolice! Então melhor não pensar, não observar, não descobrir.

Então eu choro. Choro por mim, pelos outros, pelo mundo, pelos cães abandonados... Choro sem salvação, como quem está prestes a perder a cabeça na guilhotina, como quem recebe a pena de morte, como quem descobre que um câncer invadiu seu corpo, choro como se tivesse perdido um filho.

Choro.