segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Vontade de gritar


É feriado, a minha única vontade é de escrever... já enchi um caderninho de notas que tenho ao lado da minha cama. Agora o blog será minha vítima. Sei lá, a minha vontade é de gritar de indignação. As pessoas me magoam muito ainda, por mais que eu tente me fazer de fortona. Meus olhos ainda se enchem de lágrimas quando sou desprezada, apesar de tantos anos de desprezo... Não aprendo, ainda tenho dó de mim mesma, e isso me deixa ainda mais triste.

Na televisão a Sônia Abrão entrevista o homem que tem a maior língua do mundo, ou pelo menos diz tê-la... como queria me interessar por assuntos tão patéticos! Não aguento mais essa televisão e voltei a ler ontem. Comecei bem, com Bauman, O Mal-Estar da (ou na???) Pós-Modernidade. Mas li apenas um capítulo e cai no sono. Na verdade percebo que nada mais me interessa... por mais que eu procure algo que me traga prazer, alegria, sei lá, algum sentimento bom, por mais que eu procure no fundo eu não quero nada. Eu só queria mesmo não ser quem sou e não ser nada. Não sentir, não ouvir, não falar....

Que castigo cruel ter nascido! Por que diabos justamente eu, espermatozoide do meu pai fui fecundar o óvulo da minha mãe? Falando em pai, o meu sumiu como sempre. Tentei procurá-lo, fazer amizade, pedir um dinheiro empretstado como todos os filhos normais fazem, mas ele foi bem claro comigo, não foi franco mas foi claro - não quer contato algum. Certa vez ele me disse que nós nunca tivemos uma relação no passado e que eu estava tentando resgatar algo que nunca existiu. Ele estava certo. Então eu desisti mais uma vez...das milhares de outras vezes que tentei e desisti e voltei e desisti de novo. O que fazer quando o coração apertar? Quando a vontade de ser acolhida novamente voltar? Eu não tenho pai! Esse é o mantra que hei de entoar todas as vezes que o peito doer. Queria ter sido mais orgulhhosa, e nunca ter ido atrás dele, mas fui tola! Como fui tola e isso também me deixa muito mais triste.


E agora, aqui, recolhendo cada pedacinho das minhas tristezas, eu me olho no espelho, no fundo dos meus olhos e vejo uma criança aprisionada e infeliz, uma pobre coitada. Eu deixei a rejeição entrar na minha vida. Eu deixei que as pessoas me tratassem mal. eu permiti cada xingamento, cada NÃO que ouvi, cada chute que levei. Uma perdedora. O que adianta parecer ser o que não é? As pessoas pensam qure sou bem sucedida, porque trabalho, porque casei, porque dirijo porque porque porque... Não! Eu sou um amontoado de nãos, de nãos de nãos! Como acreditar em alguma coisa se nem ao menos acredito em mim? nem na vida? nem em nada? como?????