quarta-feira, 19 de maio de 2010

Divagações

Existem respostas para todas as perguntas, ou existem sempre muito mais perguntas que respostas? Perguntar demais é ruim... questionar faz de você uma pessoa muito mais infeliz. Não queira saber os porquês, o negócio é viver de olhos fechados, ser levado pela maré... pelo menos essa é uma das teorias da felicidade cuja essência jamais compreenderei pois questiono tudo a todo instante. Mas ao ler o Guardador de Rebanhos de Alberto Caeiro sinto essa vontade de sentir o prazer do calor do sol e da beleza das árvores sem metafísica. O problema é que quando fecho o livro a tal metafísica volta a mostrar seu rosto amorfo. Nunca poderia ser uma sonhadora, não sei o que é sonhar. Vejo o mundo nu e cru, uma realidade absurdamente dura. Jamais poderei abandonar minhas crenças, minhas convicções (meus cárceres), isto aqui sou eu, por dentro um turbilhão de perguntas e perguntas sem resposta. Questionamentos vãos, filosofias vagas... Pareço uma pessoa muito mais velha do que realmete sou, desiludida de tudo e com todos. Costumo observar os acontecimentos ao meu redor e muitos deles me assustam. Daí pergunto por quê. Nunca sei a resposta, nunca ninguém me ensinou e jamais poderei aprender, pois estou presa "a minha classe e a algumas roupas... (vou de branco pela rua cinzenta. Melancolias, mercadorias espreitam-me. Devo seguir até o enjôo? [querido Drummond])." Por isso a vontade de fuga, há certos momento que as perguntas começam a atormentar a cabeça, e são incontroláveis, uma carroça conduzida por cavalos loucos, sem um motorista, incontrolável.