sexta-feira, 14 de maio de 2010

Peças de uma máquina

Rostos no metrô, mecânicos, robóticos, programados para ir e vir de lá para cá, para fazer determinada função. De segundas às sextas feiras. Milhões e milhões de rostos, de sonhos perdidos, de vidas desperdiçadas, rostos vazios, mentes vazias de significado, cheias de preocupações com trabalho, dinheiro, dívidas... uma molécula, um átomo, uma peça mecânica de uma máquina cujo sistema de funcionamento não se consegue entender, pois uma pecinha tão pequena jamais teria acesso ao HD... Fico triste todos os dias ao encontrar essas caras nos vagões dos trens. Fico pensando o que cada uma dessas pessoas um dia sonhou para si e nunca conseguiu alcançar. Ter uma casa, um carro uma família e ser feliz. Podemos até chegar a comprar uma casinha lá na periferia, ter um carrinho financiado e uma família... mas a casa sempre tem coisas para arrumar, o carro quebra e nos deixa na mão e a família acaba com nossas ilusões. Estranhamente triste mas verdadeiramente real. Puro tormento ou puro mecanicismo... escolha você mesmo se tornar de vez uma peça de máquina ou ser um questionador infeliz.