quinta-feira, 15 de julho de 2010

Sou o centro do meu universo!


Eu não me atrevo a envolver-me em determinados assuntos que não são de meu quinhão. Jamais poderia discutir com um matemático o poder dos números, com um físico as leis que regem a matéria ou com um astrônomo as reais posições dos planetas e o tamanho do universo. Sou a pessoa mais imbecil de todas quando se trata de mapas, ruas, mão e contra mão... sempre digo que só ando de carro por lugares que eu conheça bem, do contrário eu me perderia e atrapalharia o trânsito! Então, para que meter meu bedelho onde não posso?

Sempre me senti uma vítima. Das pessoas, das coisas, da vida... Hoje entendo que todos somos vítimas dessa acaso todo, entendo que todos, perdidos, tentam encontrar seus caminhos, e nesses percursos entrechocam-se. Batemos as cabeças uns nos outros como ratos em uma pequena caixa. Vítima dessa mão algoz que alguns chamam de Deus, outros de acaso, destino... eu chamo de vida.

Mas apesar de cabeçadas sei que enquanto em mim há vida, há de certa forma algum valor, algum conhecimento que a muitos pode ser lixo, a outros palavras de um ombro amigo. Para aqueles que se sentem sós e desamparados, como eu me senti muitas vezes, talvez minhas palavras sirvam para consolar. Você não está sozinho! eu estou aqui provando isso, que somos pessoas diferentes, pois andamos na contra-mão, contra a correnteza. Sim, aprendi que não estou só e que algumas pessoas entram no meu blog são muito parecidas comigo... e como não amar o meu semelhante?

Fiz de minhas leituras, de minha visão de vida, de minha insatisfação e rebeldia essas letras que vocês estão livres para ler e achincalhar o quanto quiserem. Mas acima de tudo, faço as minhas letras àqueles cujos "destinos" se entrecruzam em alguma "encruzilhada da vida".

Meus conhecimentos são meus conhecimentos. Minha visão de vida é a minha concepção. Querem me tirar isso também, ditadores, inquisidores cruéis? Não! Quem rege essa orquestra maluca sou eu. E cada um rege a sua própria orquestra. Dessa maneira tudo seria muito mais fácil! admitamos, pois, que o universo não preexiste e nem "pós-existe", o universo é porque sou, e nada mais. Ou seja, tudo apenas existe porque vivo e respiro. antes de mim, o nada, após a minha breve passagem, o nada! Que se expluda a história do mundo! Quando houver a terceira guerra mundial, quero ser apenas pó  remanescente das entranhas da terra! Como não se assumir o centro, se tudo que gira está em torno de você? 

No entanto, ser o centro não significa onipotência. Sim, somos incapazes e impotentes perante a vida, principalmente em tempos pós-modernos, onde o último idealista ainda não morreu (Mandela), mas seus ideais já estão há tempos enterrados... e quantos morreram por seus ideais! Não quero ser uma idealista nesse sentido, pois nada tenho a defender.  Sou mais um produto pós-industrial, não valeria de nada tentar revolucionar, embora esse, às vezes seja em mim um desejo incessante!

Eu vivo no meu centro, e feliz é aquele que consegue se sustentar dentro de todo esse caos inexplicável! Eu posso sofrer, posso chorar, o que isso importa aos outros? Na verdade as pessoas jamais admitem o sofrimento alheio, apenas suas feridas é que doem, isso é terrivelmente engraçado - "Posso ter um sofrimento terrível, mas o outro nunca saberá a que ponto eu sofro, porque ele é outro e não eu, e além disso, um homem dificilmente consentirá em reconhecer noutro homem uma criatura sofredora (como se isso fosse um título" - Ivan Karamazov.

Os outros são um universo à parte. O meu universo é a colcha de retalhos que vou costurando aos poucos com as sobras de tecidos do mundo. eu as escolho, mas minhas escolhas são limitadas. Mas deve-se assumir a sua responsabilidade perante as coisas que vê e aquelas que não vê. O existencialismo é um humanismo, como dizia Sartre. Existir é ser eternamente responsável pela suas atitudes e até pela sua omissão! Mas não devo entrar em tal assunto agora, o texto se tornaria grande demais!