sexta-feira, 30 de julho de 2010

Um pouco sobre o determinismo social

Já que no post anterior falei de condições adversas, de lutas infindáveis, gostaria neste post falar um pouco do que penso sobre o determinismo social. Quero fazer um relato rápido e pedir que meus leitores complementem com ideias mais apuradas mais tarde. Bem, ouvi esses dias na televisão, em algum jornal da vida, que cerca de 58% dos brasileiros mantém-se no mesmo nível de escolaridade dos pais, ou seja, apenas 42% conseguem fazer um segundo grau ou uma faculdade. Outra estatística é que a grande maioria dos jovens arrumam empregos semelhantes a de seus pais, com salários abaixo ou um pouco maior. e na vida adulta até a aposentadoria, as funções e o salário variam pouco. Quem consegue, afinal, quebrar esse determinismo histórico e social? alguns poucos eleitos, um exemplo disso é nosso atual presidente que, mesmo sem escolaridade alguma, chegou no maior cargo de um país. Mas temos poucos, muito poucos exemplos a dar, o que faz esses poucos eleitos chegar a tal ascensão? Sorte? Networking, Oportunidade? Garra? Sinceramente não sei a resposta.

Se pensarmos em todos nós, cidadãos mundanos de um sistema chamado capitalismo, o que se pode fazer para vencer os obstáculos? Estudar feito louco? correr atrás de oportunidades? Não! Definitivamente o mundo não tem lugar para todos, nem mesmo para os que batalharam, minha vida não é de méritos, e sim de acasos (além disso, não me tornei nenhuma milionária e nem tive um cargo estupendo!)  Minha vida definitivamente foi um pouco melhor do que a de minha mãe e minha avó. Eu fui, fiz minha parte, mas o que consegui tantas outras pessoas poderiam ter conseguido também! Pessoas melhores do que eu! Mas sei lá, talvez tenha sido favorecida pelo acaso, ou pela "sorte", ou por "Deus" (ironia para os mais afoitos). Na verdade eu atingi uma certa evidência na vida, mas isso corrompeu a minha personalidade. Tornei-me mais bruta e mais egoísta. Tornei-me mais desconfiada de tudo e todos. Atormentada, com medo de perder o que havia conquistado. Hoje, sem mais o que perder e sem mais forças para batalhar novamente um posto mais elevado, consigo enxergar como corrompi a minha via, como corrompi o meu "destino", o que me estava determinado! E sabem por quê? Por que sou mais inteligente que os outros? Porque sou mais bonita? ou pelos meus incontáveis sapatos (bem esses são aquisições novas rs)? Não, nada disso! Uma força análoga a humilhação, ao descaso e ao desprezo.

Foi em verdade isto! como minha mãe diz, sou fera ferida, mas  tornei-me fera após ter sido ferida, não antes. Se não me sentisse tão inferior a todos, se não me sentisse tão magoada e odiada, se fosse uma pessoa "normal", não teria feito nada do que fiz. Sei que todas as pessoas do mundo passam por situações de humilhação, ofensa, desprezo... mas cada um reage de uma forma e a minha reação foi meu orgulho próprio dilacerado, mas ainda capaz de alguma coisa, capaz de tentar provar para todo mundo e para mim mesma o que nem eu e nem ninguém acredita: no meu valor.