sábado, 25 de setembro de 2010

Ciclo



Ao nascer (geralmente) somos paparicados, alimentados na boca,  recebemos amor e carinho e trocam nossas fraldas. Aos cinco anos, somos bombardeados por informações. Aos sete questionamos, aos quatorze nos revoltamos contra o mundo. Aos vinte queremos fazer parte. Aos vinte e cinco, se não dermos certo em nada, somos fracassados. Aos trinta devemos ter estabilidade ou somos fracassados. Aos quarenta temos de conseguir muitos patrimônios ou seremos 2 vezes mais fracassados. Aos cinquenta, temos de ter tudo que a sociedade impõe: patrimônio, matrimônio, filhos, netos e estabilidade. Se nada disso for realidade, somos triplamente fracassados. Aos sessenta já teremos enterrado muitos de nossos parentes e nossos amigos. Nosso matrimônio e patrimônio não são mais tão essenciais. O que conta agora é um mínimo de sanidade. Um deslize e será taxado louco, velho esclerosado. Aos setenta, basta ter dinheiro para um caixão e um pedaço de terra para deixar seu corpo que, mais cedo ou mais tarde se tornará um cadáver. Não serás mais julgado fracassado, pois a maioria das pessoas que lhe julgaram assim já morreram ou já não têm mais memória.