sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Todo mundo é doente.

Bem, como meus amigos e inimigos sabem, sou uma pessoa solitária. Minhas jornadas, minhas caminhadas e "passeios" de trem, metrô ou ônibus são acompanhadas de música que levo no bolso. Às vezes eu desligo minha música e mantenho os fones de ouvido para prestar atenção nas conversas alheias. O que para mim antes era insuportável, hoje é um tanto "esclarecedor", ou seja, essas conversas que escuto por aí fortalecem mais e mais o que venho formulando sobre nossos irmãos seres humanos: um bando de doidos, neuróticos, psicóticos entre outros adjetivos nada agradáveis. Doentes. Ouço as neuroses alheias, as intrigas, a inveja, o ódio. Algumas vezes ouço até coisas bonitas como elogios a alguém que não está presente, mas isso é raro. Ontem mesmo, ao voltar para casa estava ouvindo a conversa de duas jovens, que falavam sobre a namorada de algum fulano que ambas conheciam. Uma delas assertivamente repetia que a tal namorada tinha "cara de bêbada", com um tom de voz bem peculiar de alguém que sente ciúmes ou inveja. A outra jovem que ouvia, discordava, mas sem insistência: "cara de bêbada? Aonde?Nada a ver". Uma conversinha boba, banal, mas que ilustra o que ouço por aí todos os dias e que me faz sentir o quanto o ser humano é doentio e mesquinho sem ao menos se dar conta disso! Todos se acham normais, mas pelo que tenho visto, normal é aquele que se admite louco.