segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Eu não faço parte


Não tenho pátria, pois não acredito na política. Não tenho família, pois minha forma de pensar e agir são "amorais" perante a sociedade moralista cristã. Sofro desde que me posicionei como ateísta, isso há muitos anos. Sempre acreditei que as pessoas deveriam gostar das outras do jeito que elas são, mas isso não existe - ou você faz parte, ou está excluído. Tenho raríssimos amigos, mas quando preciso de uma palavra nunca ninguém pode, chamaria isso de amizade? Não tenho irmãos. Tenho primos, mas eu sou um objeto de rejeição, eu não pertenço. Tenho minha mãe, minha única escudeira fiel, mas somos só nós duas e os outros são todos. E todos sempre contra nós.

Não tenho religião e muito menos crenças fabulosas. Acredito apenas na força do ódio, inveja e vingança, forças estas que me acompanham desde a infância. Tenho um cachorro. Leio Shakespeare para ele, mas só porque nenhum outro me ouviria com tanto esmero. Ele já conhece Macbeth, Rei Lear e agora estou lendo para ele Ricardo III. Mas às vezes converso com ele sobre outros autores: Schopenhauer, Camus, Nietzsche... Ah sim, podem me chamar de louca. Agora dei para falar em Inglês e Alemão (que ainda estou começando a aprender) em voz alta e sozinha pela casa. Eu falo com a geladeira, com a televisão e com os móveis da casa. Outras vezes, sem ter o que fazer, pego o celular no meio do ônibus cheio e começo a falar com meu amigo invisível. Falamos sobre artigos acadêmicos, teorias da arte, hiperrealismo, entre outras coisas que gosto. Poxa, dessa forma até que sou feliz! O que eu diria a um estranho? Nossa, como o tempo está quente? Ou, nossa, vai chover muito hoje! Ah sem saco para puxar esses tipos de conversa. Então resolvi assumir a minha total isolação. Agora, sem sono vim conversar com a tela e o teclado do meu pc, e quem sabe algum ser vivo no mundo possa ler e pensar que isso não é coisa de maluco, pois coisa de maluco é falar sobre o tempo, sobre a fila do banco ou sobre o jogo tão interessante do corinthians ou palmeiras... entendo tanto de futebol quanto de engenharia mecatrônica!

Abraços desgastados, porém fraternos como sempre!