quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Eu nunca me senti uma vítima!


Há tempos venho postando um pouco das minhas desventuras nesse mundo podre, sempre mostrando o lado exterior, o desprezo, a intriga, a humilhação... No entanto falo pouco de como me sinto perante tais acontecimentos. De certa forma eu me sinto superior, pois apenas quem tem algo para ser invejado é que pode ter inimigos! Se bem que quase todo o ser humano que não se enquadra nas regras sociais, aqueles que possuem na veia a rebeldia metafísica, são motivos de fervorosa inveja e abominação. Tenho em mente o caso dos mendigos que de vez em quando são queimados por um bando de playboyzinhos sem noção. Será que esses assassinos não invejam a liberdade do mendigo, pois suas vidas são apenas marionetes de seus pais, que os querem estudando, trabalhando e prosperando! O mendigo não deve nada a ninguém e pouco se importa com o que possam dele falar. Hum, agora entendo bem a frase de Álvaro de Campos "E não há mendigo no mundo que eu não inveje só por não seu eu".

Mas voltando à minha cosmovisão relativa aos acontecimentos de minha vida, não posso negar que me senti vítima, por muito tempo, de ser um aborto que não deu certo. Sim, sofri quase que trinta anos com isso, talvez tenha sofrido isso no ventre de minha mãe se é que sentimos alguma coisa quando estamos lá. Eu me sentia o pior ser humano da face da terra! Sim, a rejeição pode acabar com uma vida inteira! Por isso acho que sempre lutei para provar a todos que eu era alguém! Eu estudei, entrei na universidade mais disputada de São Paulo, fiz mestrado, fiz 3 pós-graduações, estudei línguas e assim fui tentando me reerguer. Mas foi o estudo filosófico que realizo todos os dias em minha casa que me ensinou o que hoje sei. Lendo Freud percebi que é normal o "macho" abandonar a "fêmea e a cria". É um instinto natural, não é minha culpa. Em relação às outras "dificuldades" que enfrentei, apenas somaram-se ao meu desencanto primordial, fazendo com que eu acreditasse que o nosso mundo realmente gira em torno de egos que precisam deplorar o outro para se tornarem melhores, mais especiais, mais isso ou aquilo. As intrigas é o fruto mais maduro do extremo narcisismo: a tentativa de destruir o próximo, aniquilá-lo faz com que o ego tenha mais espaço, é mais ou menos o que acontece quando colocamos um monte de ratos numa caixa pequena, eles brigam por espaço! Então, além do ego em si ainda existe a questão biológica - quanto menos gente, mais alimento e assim por diante.

Enfim, não sou definitivamente vítima de nada, sou apenas um ser pensante e questionador, em busca de respostas que talvez nunca me serão suficiente, mas que me ajudam a olhar com escárnio para o Satiricon...

Abraços Fraternos!