terça-feira, 23 de novembro de 2010

I'm a fuckin rotten kid, ay!


Tenho percebido uma mudança de minha postura perante a vida durante esses últimos meses. Não sei se é influência de remédios que tomo ou se apenas idade. Há muito tempo, acho que desde que nasci, percebo uma certa aversão das outras pessoas em relação a mim. Não sei exatamente explicar o que acontece, mas um breve relato pode ajudar os meus leitores a entender do que falo. Bem, quando eu era muito pequena ainda, na verdade no ventre de minha mãe, meu pai propôs um aborto, minha mãe se recusou e eis que vim ao mundo, já rejeitada pelo pai. Nem deu para eu ter o complexo de Electra. Meu progenitor caiu fora de nossas vidas (desculpe a linguagem coloquial, mas isso é um desejo inconsciente de não levar a vida a sério). Depois tive momentos ruins na escola, desde criança eu me isolava de tudo e de todos e talvez por isso me olhavam com um certo desdém. Na adolescência tive mais problemas na escola e na família. Era a adolescente rebelde que andava com uma trupe de malucos que faziam quase tudo que eu mandava (um bando de rejeitados sem muita escolha de amizades). Meus entes mais próximos me chamavam de perna fina, nariguda, cabelo "a vaca lambeu" e tudo quanto é apelido que se possa imaginar, apelidos que, de certa forma, iriam influenciar meu caráter, pois aos 12, 13 e 14 anos o que somos afinal? ah, ainda teve aquela musiquinha imunda  "Loira Burra", que eu ouvia na escola, cantada no volume máximo na minha orelha... Aos 17 pintei meus cabelos de vermelho e até hoje me pergunto por que não nasci ruiva... Aos 18 veio a fase de trabalho e em praticamente todos os meus empregos sempre havia alguém que me odiava mais do que tudo na vida e fazia o possível e o impossível para que eu fosse mandada embora. Eu me lembro como se fosse ontem, meu primeiro trabalho, minha primeira experiência traumatizante: Comecei a dar aulas de inglês em 1998, e na escola havia uma outra professora que gratuitamente me ofendia, dizendo que a Puc era muito melhor que a Usp por isso ou por aquilo. Tudo que eu falava era rebatido de forma ofensiva. Eu cansei dessa atitude e mudei de escola. Na outra escola eu era a excluída para variar. Já não sou muito de papear a toa, imaginem o que a minha presença representava numa escola onde as professoras se conheciam há anos? Bem, resisti muito mais à indiferença do que à ofensa. Segui em frente e passei uns 4 anos de minha vida sem me relacionar com uma pessoa do trabalho sequer. Houve casamentos, aniversários, baladas das quais sempre ouvia falar mas nunca tive o desprazer de ser convidada. Eu era um verdadeiro nada ali. Enfim fui para Guarulhos, onde trabalhei mais alguns anos. Ali conheci pessoas muito bacanas, entretanto éramos muitos professores, alguma alma viva ali tinha que ter cérebro pensante!!!! Fiz algumas amizades e muitas inimizades. Mas como eu tinha resolvido mudar minha atitude e minha aparência, acho que não era suficientemente uma ameaça aos outros. Havia muito mais pessoas ameaçadoras do que uma professora sonsa (sim, banquei de sonsa!) que usava aparelhos e óculos e roupas sem grife... Depois entrei para a universidade e embora alguns conflitos, consegui levar minha vidinha no banho maria. Fiz meu trabalho até que não mais servi para meus empregadores e levei um chute na bunda. Já tinha terminado meu mestrado e estava querendo mesmo um tempo para ler os russos, os franceses, os brasileiros, tudo, menos literatura fucking inglesa. Agora que estou definhando em casa, as intrigas familiares passaram a me perseguir com mais intensidade. Mas o que antes me chateava a ponto de me fazer sentir raiva, hoje não passa de um zumbidinho chato. Eu não mais perco meu tempo com raiva de fofoquinhas, intriguinhas e besteirinhas, acho tudo tão mesquinho e baixo que não há com que me preocupar, já que hoje eu me entendo como uma pessoa de gênio. Que venham as intrigas, as baixarias e a podridão! Não hei de me afrontar!