quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Onde estão as cores a vida?


Olho com tristeza o campos verdes dos bosques por onde andei, e as flores expostas nos túmulos das  gentes mortas. Com frialdade vejo o céu azul e nuvens tão brancas que me fazem pensar em asas de anjos. No espelho, a palidez no meu rosto transforma meu dia num funeral. Abro a janela de meu quarto e o cinza das grandes construções, o cinza da poluição paulistana, o cinza que pinta o chão do asfalto trazem-me a mémoria tudo aquilo que poderia ser e nunca será. A copa das árvores defronte a minha janela estão florindo, como se um convite à vida estivesse propondo, mas meus olhos não enxergam o que todos dizem sr belo. A vida é incolor, mas se tivesse uma cor diria que é vermelha, como o sangue derramado das bruxas na inquisição, dos guerreiros medievais, dos soldados japoneses, dos judeus, do trabalhador assassinado todos os dias em seu trabalho ardoroso. Mas se esse tom vermelho da vida existe, ninguém comenta sobre ele. Não se pode falar em sangue quando só se vê flores e campos e árvores. O sangue é zelado, ocultado. Conheço bem a cor do medo e a cor da dor. Cores escuras, ora cinza-chumbo, ora preto. A cor do meu travesseiro à noite. Olho nos olhos das pessoas vivas, e vejo cores turvas, marrom turvo, verde turvo, azul turvo, como se as lágrimas estivessem prontas a rolar pelo rosto infeliz. Vejo alguns olhos mais vivos, mas nunca percebo a verdadeira cor deles. São olhos iludidos com um placebo estranho, que já tomei mas não me surtiu efeito algum.

E onde quero chegar falando das cores da vida se elas não me fazem diferença alguma? eu as vejo sim, mas não vejo o sentido delas. Nem Rimbaud conseguiu definir para mim o verdadeiro significado das cores de suas vogais! Nem Goethe me faz entender o que cada uma das nuances representa. Acho que minha alma é dautônica! Ou será que tudo não passa de 4,3x10^14Hz a 7,5x10^14 Hz????