segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Só sei falar de minhas dores particulares, e daí?


Quando me olho nos espelho e me pergunto "quem sou eu afinal?", a única resposta que concluo é que eu não sou ninguém, sou algo, alguém, alguma coisa, algum ser. Amorfa, oca, o elmo cheio de nada! Não sou as leituras que fiz e nem os contos que ouvi. Não sou as atitudes que tomei e nem as que não tomei. Não estou estampada em álbuns de família, meu rosto se esconde por trás de uma máscara de plástico. Não me enconcontrará nas festas populares, nos velhos inferninhos e nem na Avenida Paulista. Não sou dessa raça que chamam humana. Não tenho medo nem ao menos curiosidade de nada. Mente cheia de pensamentos loucos e absurdos, nada realizável, um mundo surreal. talvez esquizofrenia, talvez um rótulo qualquer. Mas o que exigem de mim, mesmo que todos saibam que nada sou nem hei de ser, o que exigem de mim não posso dar. Eu apenas entendo das minhas dores particulares, nada mais.

Eu procuro a escuridão ao meio-dia e o frio em pleno verão. Eu não escuto músicas alegres, eu leio Casimiro de Abreu. Eu não sei dançar, só sei ficar na cama, de olhos fechados imaginando que aquilo ali é meu velório e ninguém compareceu para assistir o enterro de minha última quimera; e pensar que estou em um caixão sem a quem alguém possa dar condolências me traz uma paz interior tão sutil e indescritível.

Nunca fiz um bolo de aniversário para mim mesma, nem para meus entes. Nunca abracei com afeto algum irmão meu, nunca olharei o mundo como quem nasceu para mudá-lo. Não! Ninguém jamais poderá ver um sorriso meu espontâneo, só sei rir por conveniências sociais. O humor negro faz com que me sinta menos inferior, mas não chego a sorrir de toda alma como vejo os jovens, os adultos e as crianças da rua onde resido.

Eu acordo todos os dias e a primeira coisa que me passa na cabeça é "que droga, porque fui acordar agora!". Então dou uma enrolada básica e puxo um travesseiro para deitar meu tórax em cima. não sei de onde tirei essa mania. Mas os momentos mais felizes da minha vida, indubitavelmente são aqueles em que durmo e com nada sonho. Nada que me espera um dia!