sábado, 18 de dezembro de 2010

Depressão: A doença do século?


De acordo com algumas pesquisas (não que eu acredite muito em estatísticas), a depressão é hoje a quinta doença mais comum no Brasil. Dentre as pessoas que conheço, mais de 50% delas já me relataram que sofrem desse mal, não sei se minha porcentagem é devida a uma certa "lei de atração" (depressivos atraem depressivos?). O fato é, a manifestação de tal doença é um sintoma da pós-modernidade.
Vimos a decadência dos sistemas anteriores, guerras. bombas atômicas, revoluções sem sucesso, ideais fragilizados e utopias mortas. Num mundo de engrenagens tão "flexíveis" e "dinâmicas", onde as pessoas são parte descartável em qualquer lugar, onde não existe mais crenças de igualdade, fraternidade e liberdade, onde não existem mais empregos estáveis, os indivíduos se encontram acuados em seus míseros sonhos de consumo e no seu grande pesadelo cotidiano. Uma forte avalanche nos atormenta todos os dias. O trabalhador acorda de manhã para laborar mas não sabe se no outro dia estará empregado. e tendo como molde as famílias de seus ancestrais, tem filhos para sustentar, famíla, contas a pagar. Esse trabalhador é brutalmente explorado e hostilizado por seus superiores, escuta inúmeras vezes na semana que existem mil pessoas que gostariam de estar em seu lugar. Uma realidade nua e crua.

O desemprego nos países Europeus, que eram nossa fuga, agora nos afugenta. Antes, ao pensarmos na possibilidade de ficarmos desempregados no Brasil, pensávamos na possibilidade de uma carreira no exterior, mas a mídia tem esmagado esse "empreendimento" que poderíamos nos arriscar.

Estamos cada dia mais solitários, mais desamparados e mais dilacerados. Vivemos sobre a ditadura do medo: medo de sermos mortos nas ruas cada vez mais violentas, medo de perdermos o pouco que temos, medo de encarar a realidade de frente. E obviamente esse medo acarreta doenças psíquicas em nós. A depressão é um sintoma de toda a barbárie capitalista, essa escravidão remunerada.

Sem ter onde se refugiar, o homem contemporâneo se depara cada vez mais com o Absurdo da existência. Embora as religiões tentem dobrar esse homem, tapando-lhes os olhos de sua condição degradada, esse discurso não mais nos preenche. 

Nessa luta constante com o dia de hoje, como pensar em futuro? A única possibilidade é esperar Godot. Esperar o nada adiante. Logo, temos duas alternativas para continuar vivendo, de acordo com Camus: Ou você tira voluntariamente sua vida ou se apega a alguma esperança de um dia tudo melhorar. Eis o dilema.