quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Feira das vaidades


Há alguns meses fui a uma festa de 15 anos de uma prima. Bem ali, tive a nítida visão do que os seres humanos são capazes em termos de vaidade. Sempre reparei, com meu ar silencioso e observador, nas atitudes da espécie feminina, a qual tive o desprivilégio (ou não) de nascer. Bem como pensam as mulheres? Elas alugam os vestidos mais caros que possam pagar para apenas uma noite. Cheios de brilhos e plumas e pompas... Colocam sapatos dourados e prateados cheios de pedras brilhantes, pulseiras, anéis, brincos e colares que imitam diamantes ou pedras preciosas. Mas vocês acham que elas querem chamar a atenção dos homens? Ah, os homens nem reparam no tamanho dos saltos que as pernas bambas se equilibram. É tanto laquê nos cabelos, tanto pó na face que daria para montar outra mulher só de resíduos! O mais espantoso é a forma como uma olha para a outra e comenta: "nossa como você está bonita com essa roupa!" E depois viram as costas e dizem: "mas fulana não combina com tal cor, aqueles brincos são um exagero!"

Creio que entre os homens não seja muito diferente. Mas eles não reparam apenas nos sapatos ou no terno Armani, eles falam dos carros, dos i-phones, dos aparelhos eletrônicos... O meu carro é o melhor porque tem isso e aquilo. Meu telefone faz ligação para marte! Algo do gênero. 

E como fico nessa maluquice toda? Sozinha, obviamente! Eu, meu vestido preto comprado nas lindas e tradicionais boutiques do Brás! (não quero comentar sapatos, ok?). Deslocada, procurando alguém que já tenha lido Foucault, mas ninguém ali nunca leu nem Machado de Assis de verdade (só para passar no vestibular). A hora não passa, mas enqanto isso eu me empanturro com salgadinhos de queijo e coca-cola. Tédio! Penso na minha cama em casa, a me esperar! A hora não passa, mas que droga. E continuo a observar como as mulheres e os homens se exaltam, riem e esnobam todos os outros. Seria uma micro-física da luta entre os mais poderosos e os menos poderosos?