quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Lúcifer por Lord Byron


Podia renunciar-se pelo bem que aos outros fazia
Mas não por pena, por dever ou sentimento
Mas sim por um estranho pensamento perverso
Que o impelia adiante com um orgulho velado
A fazer o que poucos ou ninguém teria praticado
Este mesmo impulso, pela tentação iria
conduzir ao crime a mente e o seu coração.
Lord Byron

Todos nós carregamos dentro de nós um pouco desse Lúcifer Byroniano. Embora tentemos agir de forma boa e honesta, às vezes, acredito até que muitas vezes inconscientemente ou sem intenção, nossos corações são impulsionados a praticar o mal. E por contrapartida praticamos o bem com um certo "orgulho velado", com uma vontade ardente de nos sentirmos superiores, melhores ou recompensados. Uma característica demasiadamente humana é retratada nesse Lúcifer.

Dizem as mitologias antigas que os deuses criaram os homens porque estavam cansados, para uma boa descontração. Mas sem os elementos do mal, os demônios, os Anjos caídos, a serpente, tudo não passaria de mais aborrecimento, Então os mesmos deuses criaram também os espíritos maleficentes para nos acompanhar com nossa "essência divina" - a bondade herdada por deus" e as tentações que os espíritos malignos nos inspira - os atos cruéis que podemos praticar de livre arbítrio. Toda essa ilustração teológica e poética é um retrato do ser humano dual por natureza. Obviamente não creio em nenhuma fábula, mas admiro a criação artística simbólica da representação. Os mitos nos conduzem a uma sabedoria infinita, no entanto não podemos misturar o mito do que é verdadeiro. Assim como deus representa na cultura cristã ocidental um ser de bondade infinita, Lúcifer, ou o demônio, representa  os impulsos inerentes a nossa espécie. 
Os "sete pecados" que nos são ensinados pela doutrina cristã são sentimentos que na realidade nos conduzem aos caminhos de nossa auto-realização. A gula é o sentimento de preencher um vazio existencial (vazio este que pela religião só poderia ser preenchido por deus). Da mesma forma, a luxúria e a vaidade são sentimentos de preenchimento e de satisfação. A ira é a revolta, ou inveja ou o ódio que sentimos normalmente por aqueles que nos "ameaçam" seja fisicamente, psicologicamente, filosoficamente... A preguiça é o nosso pecado niilista, a vontade de nada! Também pode ser a vontade de liberdade castrada por trabalhos exaustivos e entediantes. E o orgulho é o instinto de auto-preservação, seja de nossas próprias ideias, ou para as cabeças mais mesquinhas, a proteção de seu patrimônio (obviamente alardeado para que todos saibam que você é o máximo!)

Da mesma maneira, os dez mandamentos  devem "guiar" nossas vidas para que possamos viver dentro da bondade divina. Embora não seja cristã, aprecio a ética de tais mandamentos, apenas acho uma grande hipocrisia cristã, pois é difícil imaginar que deus tenha criado um ser dual  e queira colocá-lo em uma única posição de bondade, então por que deus nos criou assim? Amar a deus sobre todas as coisas, mas quem não ama muito mais o prazer mundano? Matar é por vezes o sentimento de aniquilar aqueles que "empatam" o nosso caminho. Roubar é satisfazer certas vontades. Honrar pai e mãe (lógico que honro minha mãe! mas ela merece todo a minha honra!), Guardar domingos, claro, trabalhamos a semana toda, domingo é o dia sagrado do descanso! Não levantar falsos testemunhos, mas isso é o que mais acontece! Não cobiçar as coisas dos outros, mas como se o mundo é tão injusto?

Enfim, o texto acima iria muito mais além, mas por respeito aos leitores vou terminá-lo apenas com um questionamento: Por que abominamos tanto o mal se praticamos todos os dias? Medo de sermos o próximo alvo?